A Copa do Mundo de 2026 voltará a ter, depois de 36 anos, apenas seleções campeãs mundiais nas semifinais. França, Espanha, Inglaterra e Argentina garantiram classificação às semifinais e protagonizarão dois confrontos de peso na reta decisiva do torneio. Além do feito histórico, esta será a primeira edição de um Mundial em que os quatro primeiros colocados do ranking da Fifa chegam simultaneamente entre os quatro melhores da competição.
Os confrontos serão disputados na próxima semana. Na terça-feira (14), França e Espanha se enfrentam em Dallas pela primeira vaga na final. Já na quarta-feira (15), Inglaterra e Argentina medem forças em Atlanta, renovando uma das rivalidades mais marcantes da história das Copas do Mundo.
Esta será apenas a terceira vez que quatro campeões mundiais alcançam as semifinais de uma Copa. A primeira ocorreu em 1970, no México, quando Brasil, Uruguai, Itália e Alemanha Ocidental formaram o grupo dos semifinalistas. Na ocasião, o Brasil derrotou o Uruguai por 3 a 1, enquanto a Itália venceu a Alemanha Ocidental por 4 a 3, na prorrogação, em uma das partidas mais emblemáticas da história do torneio.
O cenário voltou a se repetir em 1990, na Copa da Itália. A Argentina eliminou a anfitriã Itália nos pênaltis após empate por 1 a 1, enquanto a Alemanha Ocidental também avançou nas penalidades ao superar a Inglaterra, depois de outro empate por 1 a 1. Desde então, nenhuma edição da Copa do Mundo reuniu exclusivamente campeões entre os quatro semifinalistas.
O duelo entre França e Espanha também reedita um confronto recente. As seleções voltam a se enfrentar pouco mais de um ano após a semifinal da Liga das Nações da Uefa de 2025. Na ocasião, em Stuttgart, a Espanha abriu 5 a 1 ainda aos 22 minutos do segundo tempo, viu a França reagir na reta final da partida, mas confirmou a vitória por 5 a 4 e avançou à decisão da competição.
Na outra semifinal, Inglaterra e Argentina escreverão mais um capítulo de uma rivalidade construída ao longo de décadas. O primeiro encontro entre as seleções em Copas aconteceu em 1962, no Chile, quando os ingleses venceram por 3 a 1 na fase de grupos.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu nas quartas de final da Copa de 1966, disputada na Inglaterra. O meio-campista argentino Antonio Rattín, que morreu neste sábado (11), aos 89 anos, foi expulso por reclamações à arbitragem. Ao deixar o gramado, amassou a bandeirinha de escanteio com as cores britânicas e sentou sobre o tapete vermelho reservado à Rainha Elizabeth II, aumentando ainda mais a tensão entre argentinos e ingleses.
A rivalidade ganhou dimensão histórica na Copa do Mundo de 1986, no México, quatro anos após a Guerra das Malvinas. Nas quartas de final, a Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1 com dois gols de Diego Maradona que entraram para a história do futebol. O primeiro ficou conhecido como "Mão de Deus", após o argentino marcar com a mão sem que a arbitragem percebesse a irregularidade. O segundo é considerado um dos maiores gols de todos os tempos, quando Maradona arrancou do meio-campo, driblou cinco adversários e marcou.
As duas seleções voltaram a se enfrentar nas oitavas de final da Copa de 1998, na França. Após empate por 2 a 2, a Argentina avançou nos pênaltis. O confronto mais recente em Mundiais ocorreu na Copa de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, quando a Inglaterra venceu por 1 a 0 pela segunda rodada do Grupo F.
Agora, 24 anos depois do último duelo em Copas, ingleses e argentinos voltam a disputar uma vaga na final do Mundial, enquanto França e Espanha decidem quem seguirá na luta pelo título em um confronto que reúne duas das principais potências do futebol europeu.