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Pressão por resultados no Enem pode comprometer a saúde mental e o desempenho dos estudantes
Especialista alerta que excesso de autocobrança e comparação nas redes sociais aumentam a ansiedade e reduzem o rendimento cognitivo dos candidatos
16/07/2026 15h35
Por: Anderson Almeida Fonte: Ascom / Vitru
MEC / Divulgação / CP

A pressão por um bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem contribuído para o aumento de casos de ansiedade entre estudantes. De acordo com a pesquisa Escolha Profissional e Ansiedade, da Fundação Getulio Vargas (FGV), 63% dos alunos do Ensino Médio relatam sofrer de ansiedade severa ao pensar no futuro profissional e na prova. Especialistas apontam que esse cenário está relacionado à chamada "síndrome do desempenho", quando o candidato passa a associar seu valor pessoal exclusivamente à nota obtida no exame.

Segundo Juliana Evelyn, coordenadora pedagógica da Rede Enem, a combinação entre uma rotina intensa de estudos e o período de construção da identidade dos jovens favorece o adoecimento emocional. "A exigência por uma rotina de estudos intensa, somada ao processo de construção de identidade característico dessa faixa etária, resulta em uma sensação constante de insuficiência. O estudante é bombardeado com a ideia de que precisa ser o melhor o tempo todo, o que transforma a preparação em um fardo", explica.

A especialista também destaca que as redes sociais intensificam esse cenário ao expor rotinas de estudos consideradas irreais. "O estudante compara os seus bastidores reais, cansados e cheios de dúvidas, com um recorte editado da realidade. O resultado é a percepção destrutiva de que ele nunca está fazendo o suficiente". De acordo com ela, o estresse contínuo prejudica a retenção de conteúdos, favorece bloqueios emocionais durante as provas e pode provocar sintomas como insônia, isolamento social e dores psicossomáticas.

Outro fator apontado é a pressão enfrentada por estudantes de escolas públicas, que frequentemente enxergam a aprovação imediata como a única oportunidade de ingressar no ensino superior antes da necessidade de entrar no mercado de trabalho. Para Juliana, essa realidade, somada à lógica do imediatismo presente no ambiente digital, amplia a cobrança por resultados rápidos em um exame que exige conhecimento, equilíbrio emocional e resistência física.

Como forma de minimizar esse cenário, a Rede Enem oferece conteúdo gratuito e orienta os candidatos a adotarem uma preparação equilibrada, com períodos de descanso incluídos no planejamento. "O Enem é apenas uma prova, e não um atestado sobre a inteligência do aluno. O futuro não cabe em um gabarito de 90 questões. O descanso é parte fundamental da preparação e nenhum curso vale o sacrifício da saúde", conclui a coordenadora.