O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda de Mata de São João, Joel Feldman, se pronunciou na manhã desta quarta-feira (22) sobre a reportagem publicada pelo portal Metrópoles que relaciona empréstimos de aproximadamente R$ 28 milhões concedidos pelo Banco Master às suas empresas com o período em que a instituição foi credenciada para operar o cartão consignado destinado aos servidores municipais. A reportagem destaca a proximidade temporal entre o credenciamento do banco e as operações de crédito, além de levantar questionamentos sobre eventual conflito de interesses. Feldman, no entanto, voltou a negar qualquer irregularidade e afirmou que não existe relação entre os financiamentos e sua atuação no poder público.
Durante entrevista ao programa É do Povo, o empresário afirmou que o Banco Master era, à época, uma das instituições financeiras que mais cresciam no país e que era natural manter relações comerciais com o banco. Segundo ele, os valores citados na reportagem não foram repasses ou pagamentos, mas operações de crédito formalizadas por meio de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), com apresentação de garantias e registro integral na contabilidade das empresas.
Joel explicou que os recursos foram utilizados para financiar um plano de expansão do grupo empresarial, incluindo a aquisição e ampliação de unidades comerciais, como a loja Sexta Premium, a unidade de Dias d’Ávila, o imóvel no Jardim Petrópolis e a compra de lojas do Carrefour. Ele ressaltou ainda que atualmente não possui mais operações de crédito com o Banco Master, mantendo financiamentos apenas com outras instituições financeiras, como Bradesco, Itaú, Sicoob, Safra e Banco do Nordeste.
Ao contestar a hipótese de favorecimento, Feldman argumentou que o contrato firmado entre o Banco Master e a Prefeitura de Mata de São João tinha dimensão reduzida. Segundo ele, cerca de 250 servidores aderiram ao consignado, com uma média aproximada de R$ 100 mil em empréstimos concedidos por mês. Para o secretário, a rentabilidade do banco decorrente dessa operação seria incompatível com a tese de que os empréstimos de R$ 28 milhões representariam qualquer tipo de contrapartida. “Como é que fecha essa conta?”, questionou durante a entrevista.
O secretário também afirmou que, mesmo após o descredenciamento do Banco Master pela Prefeitura, ainda existem cerca de 210 servidores concluindo contratos firmados anteriormente, somando aproximadamente R$ 560 mil em operações ativas. Segundo ele, a remuneração do banco decorre exclusivamente dos juros cobrados sobre esses empréstimos, estimados entre 3% e 4%, reforçando que, em sua avaliação, não há lógica econômica para associar os financiamentos obtidos por suas empresas ao contrato firmado com o município.