O presidente da Fifa, Gianni Infantino, desistiu do projeto de criação de uma empresa para administrar as operações comerciais das principais competições da entidade e vender uma participação minoritária a investidores privados. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (31), três dias após a proposta vir a público e depois de receber críticas de confederações continentais, principalmente da Uefa e da Concacaf.
Em comunicado, Infantino afirmou que a proposta dependeria do apoio da maioria das 211 associações-membro da Fifa e de um processo de consulta envolvendo as federações, o Conselho da Fifa, as confederações e outras partes interessadas. Segundo o dirigente, após ouvir as manifestações, ficou claro que o projeto havia provocado divisões que deixaram de atender ao objetivo inicialmente estabelecido.
O plano havia sido apresentado na terça-feira (28) e previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova empresa controlada majoritariamente pela entidade. A estrutura concentraria operações comerciais e competições organizadas pela Fifa, entre elas a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. A proposta previa a venda de uma participação minoritária a investidores privados, com expectativa de levantar até US$ 4,2 bilhões, a partir de uma avaliação estimada em cerca de US$ 20 bilhões.
A aprovação dependeria da maioria das 211 associações filiadas à Fifa, além do Conselho da entidade. O processo de consulta tinha prazo até 19 de setembro para que as associações se manifestassem sobre a proposta.
A reação contrária começou pela Uefa, que classificou o projeto como uma mudança que ultrapassaria os limites das entidades responsáveis pela organização do futebol. A confederação europeia também anunciou que suas 55 associações nacionais poderiam boicotar futuras competições da Fifa caso a proposta avançasse. A Concacaf, que reúne as federações da América do Norte, América Central e Caribe, também rejeitou o projeto.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) igualmente manifestou oposição à iniciativa. Na África, na Oceania e na América do Sul, as respectivas confederações não haviam apresentado uma rejeição pública semelhante no momento em que o projeto foi retirado. A Conmebol se pronunciou nesta sexta-feira, poucas horas antes do anúncio de Infantino, em meio às discussões sobre a proposta.
A pressão sobre a proposta aumentou ao longo da semana, com reuniões entre confederações e associações nacionais para discutir os possíveis efeitos da criação da nova empresa. A oposição de diferentes regiões do futebol mundial tornou mais difícil a obtenção da maioria necessária para a aprovação do projeto.
Ao anunciar a desistência, Infantino afirmou que a Fifa tomou a decisão após considerar as manifestações recebidas durante o processo de consulta. Com o recuo, a entidade abandona, neste momento, a proposta de captar recursos privados por meio da venda de participação na empresa que concentraria as operações comerciais de suas principais competições.