O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou, neste sábado (1º), as candidaturas do governador Jerônimo Rodrigues à reeleição e dos ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner ao Senado Federal durante convenção realizada no Parque de Exposições, em Salvador. O evento, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de lideranças da base aliada, ocorreu enquanto familiares, amigos e moradores de São Cristóvão realizavam um protesto em frente ao local pela morte do vendedor de lanches Leonardo Gil Lima, conhecido como Léo Lanches.
Além de Lula, participaram da convenção o vice-governador Geraldo Júnior (MDB), confirmado como candidato a vice na chapa de Jerônimo, o senador Otto Alencar (PSD), deputados, prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas. O encontro confirmou a composição da chapa majoritária governista para a disputa estadual, com Jerônimo Rodrigues candidato ao governo, Geraldo Júnior à vice-governadoria e Rui Costa e Jaques Wagner como candidatos ao Senado.
Durante o evento, Lula pediu votos para sua candidatura à Presidência da República e para integrantes da base aliada na Bahia. Ao discursar para prefeitos e lideranças políticas, o presidente defendeu que os apoiadores priorizem os candidatos do grupo e, posteriormente, votem nele.
A convenção ocorreu dentro do período estabelecido pela Justiça Eleitoral para a escolha das candidaturas. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as convenções partidárias podem ser realizadas de 20 de julho a 5 de agosto. Os partidos e federações têm até 15 de agosto para solicitar o registro das candidaturas, enquanto a propaganda eleitoral, inclusive na internet, somente poderá começar em 16 de agosto.
Enquanto a convenção era realizada, familiares, amigos e moradores de São Cristóvão fizeram uma manifestação em frente ao Parque de Exposições para cobrar respostas sobre a morte de Léo Lanches, de 33 anos. Os manifestantes exibiram cartazes com críticas ao governo e pedidos de providências em relação ao caso. Uma das faixas apresentava a frase: “Sem picanha, a carne mais barata do mercado é a negra”.
Leonardo Gil Lima morreu em 23 de julho, durante uma ação da Polícia Militar no bairro de São Cristóvão. Segundo a versão apresentada pela corporação, equipes da 49ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) foram recebidas a tiros por suspeitos e reagiram. Após a troca de tiros, Leonardo foi encontrado ferido e socorrido para uma unidade de saúde, mas não resistiu.
Familiares e moradores contestam essa versão e afirmam que o vendedor foi atingido por disparos efetuados por uma policial quando retornava para casa após o trabalho. Eles também sustentam que Leonardo não tinha envolvimento com atividades criminosas.
A morte do comerciante provocou manifestações no bairro e mobilização de familiares e moradores, que passaram a cobrar esclarecimentos sobre as circunstâncias da ocorrência. A Polícia Civil instaurou investigação para apurar o caso, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar também acompanha a atuação dos agentes envolvidos.
Na sexta-feira (31), familiares de Leonardo se reuniram com o secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, para cobrar respostas. Também participaram do encontro o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Antônio Carlos Silva Magalhães, representantes da Polícia Civil, da Corregedoria da PM e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), além de advogados e amigos da família.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA), durante a reunião foram apresentados detalhes sobre o andamento das investigações conduzidas pelo DHPP, as medidas administrativas adotadas pela Polícia Militar e as ações de assistência social destinadas aos familiares. O governo também informou que os policiais militares envolvidos na ocorrência foram afastados das atividades operacionais e que as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos agentes serão analisadas durante a apuração.
Ainda de acordo com o governo estadual, será elaborado, na próxima semana, em parceria com o Núcleo de Apoio às Vítimas de Crimes Violentos do Ministério Público da Bahia (MP-BA), um plano de acolhimento para os familiares diretos de Leonardo. Também foi criado um canal direto de comunicação entre a família e os órgãos estaduais responsáveis pelo acompanhamento das investigações.
A convenção deste sábado marcou a confirmação formal da chapa governista para as eleições estaduais, mas não representa o início oficial da propaganda eleitoral. Conforme o calendário do TSE, a campanha eleitoral poderá começar somente em 16 de agosto.
Jerônimo Rodrigues, de 61 anos, é o atual governador da Bahia e foi eleito para o cargo em 2022. Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e professor universitário licenciado, iniciou sua atuação no Governo da Bahia em 2007, durante a gestão de Jaques Wagner. Naquele período, trabalhou na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e, posteriormente, na Secretaria de Planejamento.
Em 2011, passou a atuar em Brasília, onde ocupou o cargo de secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento Agrário e outras funções na pasta durante o governo da então presidente Dilma Rousseff. Em 2014, coordenou o programa de governo de Rui Costa para a eleição daquele ano e, após a vitória, assumiu a recém-criada Secretaria de Desenvolvimento Rural. Em 2018, voltou a coordenar o programa de governo de Rui Costa e, no ano seguinte, tornou-se secretário estadual da Educação, função que deixou para disputar o governo da Bahia em 2022.
Nas eleições de 2026, os eleitores escolherão presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, dois senadores por estado, além de deputados federais e estaduais. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.