Geral Investigação
PM investigada pela morte de Léo Lanches é presa em Salvador após laudo apontar arma usada no crime
Soldado teve prisão temporária cumprida na Pituba; comerciante foi baleado durante ação policial no dia 23 de julho, em São Cristóvão
04/08/2026 20h57
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução

Uma policial militar investigada pela morte do comerciante Leonardo Gil Lima, de 33 anos, conhecido como Léo Lanches, foi presa nesta terça-feira (4), no bairro da Pituba, em Salvador. A prisão temporária foi cumprida durante uma ação integrada das polícias Civil e Militar, após a investigação apontar, com base em laudo pericial, a arma de onde partiu o disparo que atingiu o vendedor de lanches durante uma ação policial em São Cristóvão, no dia 23 de julho.

Leonardo foi baleado na Rua Lessa Ribeiro e chegou a ser socorrido para o Hospital Geral Menandro de Farias, mas não resistiu aos ferimentos. Na ocasião, a Polícia Militar informou que equipes da 49ª Companhia Independente da Polícia Militar (49ª CIPM) realizavam patrulhamento na região quando teriam sido recebidas a tiros por homens armados. Segundo a corporação, houve revide e, após a ocorrência, o comerciante foi encontrado ferido.

Familiares e moradores, porém, apresentaram uma versão diferente. Segundo eles, não houve confronto no local onde Leonardo foi atingido e o comerciante teria sido baleado por uma policial na frente da própria casa, quando retornava do trabalho. A divergência entre os relatos motivou a investigação das circunstâncias da morte.

O caso passou a ser investigado pela 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico), vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio da Agência de Inteligência do departamento. Durante a apuração, foram ouvidas testemunhas, analisadas imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais que participaram da ocorrência e solicitadas perícias complementares.

Segundo a Polícia Civil, a conclusão dos exames e o laudo produzido pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) permitiram identificar a arma de onde partiu o disparo que atingiu Leonardo. Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a corporação representou pela prisão temporária da policial militar.

A medida foi autorizada pelo 2º Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador, após manifestação favorável do Ministério Público da Bahia (MP-BA). A soldado foi apresentada na sede do DHPP, onde passou pelos procedimentos previstos, e será encaminhada para uma unidade prisional militar, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Antes da prisão, os policiais militares que participaram da ocorrência já haviam sido afastados das atividades operacionais. A Polícia Militar também determinou a abertura de procedimento administrativo para apurar a atuação da equipe e informou que as imagens das câmeras corporais seriam encaminhadas à Corregedoria da corporação e à Polícia Civil.

A morte de Leonardo provocou protestos de familiares e moradores de São Cristóvão. Na noite do crime, vias da região foram bloqueadas e um ônibus foi incendiado durante as manifestações. No dia seguinte, o transporte coletivo chegou a ser suspenso no bairro. A família e moradores cobraram esclarecimentos sobre a ação policial e contestaram a versão apresentada inicialmente pela corporação.

Leonardo havia inaugurado a própria lanchonete poucos dias antes de morrer. Conhecido na região como Léo Lanches, ele trabalhava com a venda de alimentos e era conhecido por moradores do bairro. A investigação continua para esclarecer a dinâmica da ocorrência, a motivação do disparo e eventual participação de outras pessoas.

O governador Jerônimo Rodrigues também se manifestou sobre o caso nesta terça-feira (4) e afirmou que havia determinado rigor na apuração. Segundo ele, a investigação deve respeitar o direito de defesa da policial e seguir os procedimentos legais até o esclarecimento dos fatos.