Uma reportagem publicada nesta segunda-feira (10) pelo Poder360 coloca sob forte questionamento a atuação de integrantes do PT da Bahia na origem de um negócio que, anos depois, ajudaria a impulsionar o Banco Master. Segundo a apuração, o empresário baiano Augusto Lima teria se aproximado de Jaques Wagner e Rui Costa durante o processo de privatização da Ebal e do Credcesta, cartão originalmente destinado a compras de funcionários públicos estaduais. A reportagem relaciona essa trajetória à posterior sociedade entre Lima e Daniel Vorcaro.
O ponto mais controverso está nos atos assinados após a privatização. A Ebal, que acumulava prejuízos e havia sido colocada à venda inicialmente por R$ 81 milhões, acabou arrematada em abril de 2018 por R$ 15 milhões, já incluindo o Credcesta. Apenas 16 dias depois, Rui Costa assinou os decretos 18.353 e 18.354, que ampliaram as funcionalidades do cartão, permitiram operações de crédito e estabeleceram uma margem própria de até 30% da remuneração líquida dos servidores para o programa. O Credcesta passou, assim, de um cartão utilizado para compras na antiga Cesta do Povo a uma plataforma de empréstimos consignados.
A reportagem também destaca uma medida de janeiro de 2022. Já durante o segundo mandato de Rui Costa, o decreto 21.041 alterou as regras de portabilidade e retirou as operações do Credcesta da possibilidade de transferência para instituições que oferecessem juros menores. Segundo o Poder360, o produto chegou a cobrar taxas próximas de 5% ao mês e se tornou um dos principais motores da expansão do grupo que posteriormente esteve ligado ao Banco Master. Entre 2018 e 2024, a operação teria crescido para 24 Estados e 176 municípios.
O caso ganhou ainda mais peso com a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em junho de 2026, que teve Jaques Wagner e Augusto Lima entre os alvos. A decisão do STF citada pelo Poder360 registra uma transferência de R$ 3,5 milhões para uma empresa apontada como ligada ao núcleo familiar de Wagner, além de planilhas que registrariam pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões a uma pessoa identificada como “Dudu”, que os investigadores associam ao enteado do senador. Wagner nega ter recebido propina e afirma que já prestou os esclarecimentos necessários à Justiça. Rui Costa não respondeu às tentativas de contato do Poder360.
O Poder360 ressalta que os fatos integram investigações ainda em andamento e que os citados negam irregularidades. Wagner afirmou anteriormente que a venda ocorreu quando o Banco Máxima e o Banco Master sequer existiam e atribuiu a conexão posterior ao Banco Central. A defesa de Augusto Lima declarou, em manifestação anterior, que ele sempre atuou dentro da legalidade. O atual governador Jerônimo Rodrigues informou que o contrato do Credcesta está sob análise, mas defendeu a manutenção do programa.