Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro aprovaram nesta segunda-feira (10) novas regras de arbitragem apresentadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). As medidas incluem o chamado Protocolo Vini Jr., alterações no tempo de posse da bola pelo goleiro, mudanças nos procedimentos de cobranças e substituições, além de novas possibilidades de intervenção do VAR. As regras passam a ser aplicadas a partir da 23ª rodada do Brasileirão, nos dias 15 e 16 de agosto.
A reunião foi realizada em um hotel no Rio de Janeiro e contou com representantes dos clubes das duas principais divisões nacionais. Entre os participantes estavam Bahia e Vitória, representados, respectivamente, pelo diretor de Operações e Relações Institucionais Vitor Ferraz e pelo presidente Fábio Mota.
As alterações foram elaboradas pela International Football Association Board (IFAB), entidade responsável pelas regras do futebol, e utilizadas durante a Copa do Mundo de 2026. A CBF iniciou em julho as discussões com os clubes sobre a implementação das medidas no futebol brasileiro.
Uma das principais mudanças estabelece o limite de oito segundos para o goleiro permanecer com a bola nas mãos. Quando o período for ultrapassado, será concedido um escanteio à equipe adversária.
Nas cobranças de lateral e tiro de meta, o árbitro poderá iniciar uma contagem visual de cinco segundos quando identificar atraso deliberado. Se o lateral não for cobrado dentro do período, a posse passa ao adversário, que terá direito à cobrança. No tiro de meta, o descumprimento do prazo resulta em escanteio para a equipe adversária.
O jogador que estiver sendo substituído terá dez segundos para deixar o campo após a sinalização do quarto árbitro. A saída deverá ocorrer pelo ponto mais próximo do gramado, exceto quando o atleta estiver lesionado e sem condições de deixar o campo dessa maneira. Em caso de atraso, o substituto deverá aguardar um minuto para entrar, deixando a equipe temporariamente com um jogador a menos.
Outra alteração estabelece que atletas atendidos fora do campo após receberem assistência médica deverão permanecer fora por pelo menos um minuto antes de retornar à partida.
Quando o atendimento for destinado ao goleiro, um jogador de linha da mesma equipe também deverá permanecer fora durante um minuto. O treinador poderá indicar o atleta em até dez segundos. Caso isso não ocorra, o capitão deverá deixar o campo. Se o goleiro for o capitão, um jogador será previamente definido por sorteio.
O chamado Protocolo Vini Jr. também passa a integrar as mudanças aplicadas no futebol brasileiro. Pela nova regra, jogador, suplente ou atleta substituído poderá ser expulso caso cubra intencionalmente a boca ao se comunicar com um adversário de maneira provocativa, depreciativa ou inflamatória.
A medida foi incorporada às alterações da Regra 12, que trata de faltas e conduta antidesportiva.
As regras também determinam que apenas o capitão deverá atuar como interlocutor da equipe nas comunicações com o árbitro. A medida busca reduzir a quantidade de jogadores envolvidos em discussões com a arbitragem durante as partidas.
O protocolo do VAR também será ampliado. A tecnologia poderá ser utilizada para corrigir uma aplicação equivocada de segundo cartão amarelo que resulte na expulsão de um jogador.
A revisão de um escanteio concedido de forma incorreta, porém, ficará para 2027. A partir da próxima temporada, o VAR poderá intervir quando a marcação equivocada resultar diretamente em gol ou pênalti.
Por se tratar de situações objetivas, a correção poderá ser comunicada diretamente à equipe de arbitragem, sem a necessidade de o árbitro se deslocar até o monitor para interpretar o lance.
A principal justificativa apresentada pela CBF para o conjunto de mudanças é o aumento do tempo de bola rolando nas partidas. Segundo estudo apresentado pela entidade, o Brasileirão Série A registrava média de 52 minutos e 54 segundos de bola em jogo antes da pausa para a Copa do Mundo de 2026.
No levantamento, a MLS, dos Estados Unidos, registrava 57 minutos e 12 segundos de bola rolando; a Bundesliga, da Alemanha, 56 minutos e 18 segundos; a Ligue 1, da França, 56 minutos e 17 segundos; a Premier League, da Inglaterra, 55 minutos e 23 segundos; a LaLiga, da Espanha, 55 minutos e 9 segundos; a Serie A, da Itália, 54 minutos e 28 segundos; o Brasileirão Série B, 51 minutos e 9 segundos; e o Apertura da Liga Profissional de Futebol da Argentina, 50 minutos e 2 segundos.
A CBF estabeleceu como meta inicial alcançar 57 minutos de bola rolando com a aplicação do conjunto de novas regras. A entidade também apontou outros fatores que influenciam o tempo efetivo de jogo e que dependem da atuação de árbitros e jogadores, como faltas, reposições, atendimentos médicos e utilização do VAR.
De acordo com os dados apresentados, são perdidos, em média, 203 segundos com faltas, 113 segundos com tempo de reposição de bola, 50 segundos com atendimentos médicos e 16 segundos com o uso do VAR. A soma representa 6 minutos e 22 segundos de tempo potencialmente recuperável, segundo a análise da entidade.
A aplicação das medidas no Brasil ocorre após a aprovação das alterações pela IFAB para a temporada 2026/2027. A CBF publicou em junho o novo Livro de Regras e documentos relacionados aos procedimentos de substituição, contagem regressiva para cobranças e atendimento médico.
A adoção das mudanças estava inicialmente prevista para ocorrer de forma mais ampla apenas posteriormente, mas a CBF decidiu antecipar a aplicação no futebol nacional após a reunião com os clubes. As novas regras serão utilizadas no Campeonato Brasileiro e nas demais competições nacionais abrangidas pela regulamentação.
A próxima reunião do conselho técnico da CBF está prevista para 14 de setembro e terá como pauta a organização das competições. Os encontros fazem parte das discussões entre a entidade e os clubes sobre a estrutura do futebol brasileiro e a criação da Liga do Futebol do Brasil.