Esporte Futebol Nacional
Fábio Mota critica arbitragem e cobra preparação antes de novas regras da CBF
Presidente do Vitória considera mudanças positivas, mas defende reciclagem, qualificação e profissionalização dos árbitros
10/08/2026 22h09
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Crédito: Victor Ferreira/EC Vitória

O presidente do Vitória, Fábio Mota, criticou a preparação dos árbitros brasileiros e defendeu uma reformulação do quadro de profissionais responsável pela condução das partidas. Em entrevista ao programa De Primeira, do Canal UOL, nesta segunda-feira (10), o dirigente afirmou que as novas regras discutidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) são positivas, mas não serão suficientes sem atualização e qualificação dos árbitros que terão de aplicá-las.

Mota avaliou que a arbitragem brasileira precisa passar por um processo de reciclagem antes da incorporação das novas normas. Para ele, a falta de preparação pode dificultar a aplicação das mudanças e ampliar os problemas já observados nas competições nacionais.

“Eu acho que são bem-vindas as regras, mas não adianta você trazer regras novas se você não aprimora o material humano que vai colocar em prática as regras. Eu acho que a arbitragem precisa passar por uma reciclagem urgentemente. No nível que está a arbitragem hoje no Brasil, tem queixas todos os finais de semana, não vai adiantar você trazer as regras, trazer conteúdo novo, porque quem aqui está não vai conseguir implementar o que já aqui está, imagina o que está chegando de novo”, afirmou.

O presidente do Vitória também cobrou que a profissionalização da arbitragem deixe de ser apenas uma proposta e seja efetivamente implementada. Na avaliação do dirigente, os árbitros precisam receber preparação mais rigorosa, qualificação contínua e dedicação exclusiva à atividade antes da incorporação de novas regras ao futebol brasileiro.

“Eu acho que a arbitragem precisa passar por uma reciclagem urgentemente. Esse discurso lindo e bonito de profissionalização precisa sair do papel. O árbitro precisa ser melhor preparado, melhor qualificado, viver exclusivamente da arbitragem, de verdade, para depois começar a trazer regras novas”, acrescentou.

Mota também questionou a renovação do quadro de arbitragem e afirmou que a ausência de critérios uniformes nas decisões está entre os principais problemas enfrentados atualmente no futebol brasileiro. Segundo ele, há profissionais que permanecem por longos períodos no quadro sem passar por processos de atualização ou renovação.

“O maior problema da arbitragem hoje é falta de critério, falta de uniformização das decisões. Quem são os novos destaques da arbitragem brasileira hoje? Analise o currículo de cada um e veja há quanto tempo esse pessoal já está apitando. Você tem quadro de árbitro hoje que há muito tempo não passa por uma reciclagem, não passa por renovação”, declarou.

As críticas foram feitas no mesmo dia em que clubes das Séries A e B aprovaram novas regras de arbitragem apresentadas pela CBF. Entre as alterações estão medidas relacionadas ao tempo de posse da bola pelos goleiros, cobranças de lateral e tiro de meta, substituições, atendimentos médicos, comunicação com a arbitragem, atuação do VAR e o chamado Protocolo Vini Jr.

As mudanças foram elaboradas pela International Football Association Board (IFAB) para a temporada 2026/2027 e serão adotadas no futebol brasileiro. Para Fábio Mota, a aplicação das novas regras precisa ser acompanhada de uma transformação na formação e na preparação dos árbitros para que as alterações sejam aplicadas de maneira uniforme nas competições nacionais.