Pojuca vem fortalecendo a educação bilíngue para estudantes surdos na Rede Municipal de Ensino, com a utilização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua de instrução. A proposta busca ampliar a comunicação entre estudantes surdos, ouvintes e profissionais da educação e tornar a participação dos alunos surdos mais efetiva no cotidiano escolar.
A iniciativa começou a ser estruturada a partir da experiência da secretária municipal de Educação, Isabel Cristina, ainda quando atuava como professora. Ao acompanhar as dificuldades de interação de uma estudante surda, ela identificou que o atendimento especializado, isoladamente, não era suficiente para garantir uma inclusão efetiva. Em 2023, ao assumir a Secretaria de Educação, levou a discussão ao Núcleo de Educação Inclusiva (NEI), que passou a desenvolver uma proposta de educação bilíngue.
O projeto foi implementado em 2024 nas turmas que tinham estudantes surdos e também passou a estimular alunos ouvintes a aprender Libras. A proposta criou novas possibilidades de comunicação e convivência no ambiente escolar e aproximou estudantes surdos, colegas e professores.
Para atender à demanda da educação inclusiva, o NEI conta com uma supervisora pedagógica e três coordenadoras, além de 73 profissionais de apoio, 22 professores especializados, sete professores com formação em Libras, uma professora colaborativa e uma professora itinerante. A rede municipal também dispõe de transporte acessível, com seis motoristas e sete monitoras de carros acessíveis.
A experiência desenvolvida em Pojuca também foi apresentada fora do município. A Secretaria Municipal de Educação inscreveu a experiência da sala de aula bilíngue para surdos em um edital do Ministério da Educação (MEC) voltado a experiências inspiradoras de educação em tempo integral. Pojuca foi selecionada em duas modalidades, apresentação em painel e material impresso, e compartilhou a iniciativa em Vera Cruz, na Bahia, durante a programação da Rede de Trocas, iniciativa nacional voltada ao compartilhamento de práticas e experiências educacionais.
O intercâmbio contou ainda com a participação de municípios como São Miguel do Tapuio, no Piauí, e Alto Alegre do Pindaré, no Maranhão. Para Isabel Cristina, a apresentação permitiu divulgar o trabalho desenvolvido em Pojuca e conhecer experiências de outras redes de ensino.
A iniciativa também foi ampliada para a comunidade por meio de um curso noturno de Libras, que reúne estudantes e professores surdos e possibilita o aprendizado da língua por moradores do município.
Na educação em tempo integral, Pojuca conta atualmente com a Escola Municipal Francisco Magalhães Neto, que atende os anos finais; a Escola Municipal João Paulo II, com os anos iniciais e finais; e o Núcleo Educacional Pedro Leal Cardoso, localizado na área rural. Juntas, as três unidades atendem 522 estudantes.
A política de educação inclusiva da rede municipal também inclui o Ciranda das Vivências, voltado à Educação Infantil, e o Atendimento Itinerante, que permite o acompanhamento de estudantes em casa quando necessário. Com as ações, o município amplia as estratégias de inclusão para além do atendimento individualizado e incorpora a Libras à convivência e às práticas de aprendizagem no ambiente escolar.