Familiares de Giovanna Vitória Vilela, uma das três vítimas do triplo homicídio ocorrido em março de 2025, contestam a absolvição de Alisson Santiago dos Santos e Estevão Iury de Lima pelo Tribunal do Júri de Dias d’Ávila. Em entrevista ao Mais Região nesta quinta-feira (20), em frente ao Fórum de Dias d’Ávila, a mãe da jovem, Sara Elane, e o irmão, Marcos, demonstraram revolta com o resultado e relataram supostas irregularidades ocorridas durante o julgamento. Segundo a família, os questionamentos foram apresentados ao Ministério Público nesta quinta-feira, e uma nova reunião com o órgão está prevista para esta sexta-feira (21).
O julgamento começou na quarta-feira (19) e terminou por volta das 2h desta quinta-feira (20), com a absolvição, por maioria, dos dois réus. Alisson, policial militar, e Estevão eram acusados pelas mortes do bancário Henrique Silva Borges, de Jailma Barbosa da Silva e de Giovanna Vitória Vilela. Os jurados reconheceram a materialidade dos crimes, mas votaram negativamente quanto à autoria atribuída aos acusados. Com a decisão, a juíza Laura Mirella Neri de Morais determinou a expedição dos alvarás de soltura, desde que não houvesse outro motivo legal para a manutenção das prisões.
Abalada com o resultado, a mãe de Giovanna, Sara Elane, afirmou que a família não aceita a absolvição e pretende buscar novas providências junto ao Ministério Público. “A gente recebeu com muita revolta, porque já estava tudo certo de eles serem condenados e, de repente, foram absolvidos. A gente não aceita essa decisão”, declarou.
Ela destacou que os dois acusados estavam presos preventivamente desde março de 2025 e afirmou que a absolvição aumentou a sensação de inconformismo entre os familiares das vítimas. “Três pessoas foram mortas, havia dois acusados que já estavam presos e, no júri popular, eles foram absolvidos. Nós queremos justiça”, afirmou.
Ao falar sobre a filha, a mãe ressaltou que Giovanna tinha 18 anos e teve os planos interrompidos pela violência. “Minha filha tinha tudo pela frente. Tinha 18 anos, tinha sonhos, e tudo isso foi tirado dela. Uma menina nova, cheia de sonhos, foi interrompida”, declarou. Sara também afirmou que a família espera a responsabilização dos envolvidos. “Isso não vai trazer a vida de nenhum deles de volta, mas eles precisam pagar pelo que fizeram. Foram três vidas”, disse. Para ela, o resultado do julgamento não encerra a busca dos familiares por uma resposta para as mortes.
O irmão de Giovanna, Marcos, apresentou os pontos que, segundo a família, precisam ser esclarecidos. Ele afirmou que uma testemunha ligada à defesa prestou um primeiro depoimento durante aproximadamente uma hora e, após a suspensão da sessão para o almoço, teria retornado para prestar novas declarações depois de um problema na gravação. Segundo ele, nesse segundo momento, a testemunha teria apresentado uma versão diferente da anterior. Durante o intervalo, ainda conforme o relato de Marcos, a testemunha foi liberada e teve contato com advogados. Na retomada da sessão, a juíza determinou que o depoimento fosse gravado novamente. “Quando ele voltou para gravar, a versão estava totalmente diferente da primeira”, afirmou.
Para o irmão de Giovanna, a mudança no relato está entre os principais motivos de insatisfação da família. “Diante do Poder Judiciário, não pode haver duas versões. A testemunha falou de um jeito na primeira vez e, quando voltou, apresentou outra versão. É isso que queremos esclarecer”, declarou.
Entre os pontos citados está o tamanho de um cofre que, de acordo com Marcos, estaria relacionado à guarda da arma pessoal de Alisson. Ele afirmou que, no primeiro depoimento, a testemunha teria descrito o compartimento com cerca de dois palmos e meio de comprimento e um palmo de largura.
Segundo o irmão, durante a sessão, a acusação apresentou uma nota referente ao cofre e informou que o equipamento teria 23 centímetros. “A acusação mostrou que tinha a nota do cofre e que ele tinha apenas 23 centímetros. No segundo depoimento, a testemunha passou a dizer que era pequeno, com aproximadamente 23 centímetros, repetindo a medida apresentada pela acusação”, relatou.
Marcos afirmou que a diferença entre os relatos precisa ser esclarecida pelo Ministério Público. “Na primeira vez, ele falou o que dizia ter visto. Depois, quando retornou, apresentou a medida que tinha sido mencionada pela acusação. Existe uma diferença entre os dois depoimentos e queremos saber como isso será analisado pelo Ministério Público”, disse.
O triplo homicídio ocorreu na madrugada de 7 de março de 2025, em uma residência no Parque Capuami, no bairro Imbassaí, em Dias d’Ávila. Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, Henrique Silva Borges, Giovanna Vitória Vilela e Jailma Barbosa da Silva foram mortos com disparos de arma de fogo e golpes de arma branca. Alisson Santiago dos Santos e Estevão Iury de Lima foram presos preventivamente durante as investigações.
Com o encerramento do julgamento, o Tribunal do Júri decidiu pela absolvição dos dois réus. A família de Giovanna, entretanto, afirma que continuará recorrendo às instituições responsáveis para buscar esclarecimentos sobre o resultado e sobre os pontos questionados durante a sessão. Uma nova reunião com o Ministério Público está prevista para esta sexta-feira (21).