O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, pediu desculpas publicamente à chefe de cozinha e candomblecista Solange Borges durante um encontro realizado nesta sexta-feira (21), no Fórum Clemente Mariani, em Camaçari. A retratação ocorreu meses depois de uma fotografia de Solange ter sido retirada da galeria permanente instalada no prédio, após solicitação de um juiz. Dias depois do episódio, o próprio presidente do TJBA determinou a recolocação da imagem.
O encontro ocorreu no Fórum Clemente Mariani, onde Rotondano afirmou, em nome do Judiciário baiano, que a instituição não concorda com a atitude adotada em relação à candomblecista. O desembargador pediu desculpas publicamente pelo ocorrido e afirmou que o dever do Poder Judiciário é cuidar e ouvir as pessoas, independentemente de raça, cor ou religião.
Solange Borges recebeu um buquê de flores do presidente do TJBA. Dona de um restaurante dedicado à culinária afro-brasileira em Camaçari, ela afirmou que o episódio e sua repercussão contribuíram para ampliar a compreensão sobre a possibilidade de recorrer à Justiça diante de situações semelhantes. Ao final do encontro, disse deixar o local com o “coração mais leve”.
O caso ocorreu em fevereiro, quando uma fotografia de Solange Borges foi retirada temporariamente da galeria “Gente é para Brilhar”, instalada no Fórum Clemente Mariani. A imagem havia sido retirada após solicitação de um juiz local.
A fotografia retrata Solange, que é ligada ao Candomblé, e integra a exposição permanente composta por imagens de pessoas e personalidades de Camaçari. A retirada da obra repercutiu e provocou manifestações de entidades e representantes ligados à defesa das religiões de matriz africana.
Dias depois, o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia determinou a recolocação da fotografia na galeria. A decisão restabeleceu a imagem no espaço onde havia sido exposta antes da solicitação de retirada.
O reencontro desta sexta-feira ocorreu no mesmo fórum onde o episódio aconteceu. Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia, a iniciativa teve como objetivo promover uma retratação pública à chef de cozinha e candomblecista, meses após a retirada e posterior recolocação de sua fotografia na galeria.