O candidato a deputado estadual Douglas Pithon (Republicanos) criticou a efetividade da Operação Força Total, da Polícia Militar, e afirmou que a ação não é suficiente para enfrentar o avanço da criminalidade na Bahia. A declaração foi feita durante entrevista ao programa É do Povo, transmitido pela Rádio Sauípe FM (102,9), na manhã desta segunda-feira (24). Policial civil afastado das funções para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Pithon defendeu uma mudança na estratégia de segurança pública adotada pelo Estado.
“Mas essas operações elas não são eficientes, elas não dão a resposta que a sociedade precisa em relação à segurança, mesmo porque elas são passageiras. Elas acontecem 24 horas ou 48 horas e depois elas já não acontecem mais”, afirmou. Para o candidato, a mobilização extraordinária do efetivo nas ruas pode produzir uma sensação momentânea de segurança, mas não representa uma resposta permanente para o problema. “A gente tem que lançar esforço em soluções efetivas. Todas as soluções que foram postas à mesa já se demonstraram ineficientes, todas elas.”
Na avaliação de Pithon, a Bahia enfrenta um cenário de avanço da criminalidade que exige medidas estruturais. “A gente está num estado que há um avanço sistemático da criminalidade. É o segundo estado mais violento do sétimo país mais violento do mundo. Nós temos aí as cinco piores cidades das dez do Brasil. As pessoas estão morrendo.” O candidato também questionou os índices de investigação e apontou dificuldades relacionadas ao efetivo das forças policiais.
“Nós temos 14% de índice de elucidação dos crimes, quando a média nacional são 40%. Nós temos um déficit, por exemplo, de policial civil de 35%.” Pithon citou ainda um relatório do Tribunal de Contas do Estado e afirmou que seria necessária a contratação de milhares de profissionais para recompor o efetivo. “O relatório do TCE aponta que a gente teria que contratar, para chegar num número suficiente de policiais, mais 20.500 policiais, entre policial civil, policial militar e policial penal.”
Durante a entrevista, o candidato também levou a crítica para a Região Metropolitana de Salvador e citou Dias d’Ávila como exemplo do agravamento da violência. “Dias d’Ávila, você citou Dias d’Ávila e é importante eu falar sobre isso, sempre foi tida como uma cidade tranquila. E, recentemente, é muito comum, em Dias d’Ávila, o camarada se deparar com corpos decapitados, cabeça rolando na rua.” Pithon ainda relatou ter recebido mensagens de moradores preocupados com episódios de violência. “As pessoas vinham no meu direct, Pitom, eu estou saindo para ir para a escola, tem uma cabeça na porta da minha casa. E nada é feito.”
Ao concluir a crítica, Douglas Pithon afirmou que a Operação Força Total pode gerar visibilidade, mas não resolve o problema de segurança pública a longo prazo. “Então, não é uma Operação Força Total que vai resolver o problema de segurança pública do Estado. Realmente, dá uma mídia, dá uma visibilidade. É uma ação pontual, em 24 horas.” O candidato questionou se a população se sente mais segura após as operações e respondeu: “A resposta é não.” Para Pithon, “a gente precisa entender que esse buraco é muito mais embaixo, que a gente não vai resolver esse problema com a Operação Força Total”.
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