Geral Catástrofe
Inundações na fronteira entre Nepal e Tibete deixam 160 mortos e centenas de desaparecidos
Colapso de gelo, rochas e detritos provocou uma inundação repentina que atingiu vilas, estradas, pontes e áreas turísticas; entre os desaparecidos estão centenas de viajantes estrangeiros
26/08/2026 21h48
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução

Pelo menos 160 pessoas morreram e centenas permanecem desaparecidas após uma inundação repentina atingir nesta quarta-feira (26) a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, território administrado pela China. Até a atualização mais recente, a polícia nepalesa havia recuperado 157 corpos em diferentes localidades, enquanto as autoridades chinesas confirmaram três mortes e 265 desaparecidos no condado de Gyirong, do lado tibetano.

O desastre foi provocado por uma grande massa de gelo, rochas e detritos que desceu por uma área montanhosa e atingiu um rio na região do Himalaia, desencadeando uma enxurrada que arrastou casas, estradas, pontes e estruturas de geração de energia. Imagens registradas na área mostram a força da correnteza e a destruição em localidades situadas ao longo dos vales atingidos.

Entre as áreas afetadas estão Syabrubesi e Timure, no distrito de Rasuwa, no Nepal, próximo à fronteira chinesa. Syabrubesi é ponto de partida para a trilha de Langtang, enquanto outras localidades atingidas são utilizadas por viajantes que percorrem rotas de peregrinação em direção ao Monte Kailash e à região de Kailash Mansarovar.

O Ministério do Turismo do Nepal informou que centenas de viajantes continuavam desaparecidos após a inundação, incluindo 341 estrangeiros. Os números ainda estavam sendo atualizados pelas autoridades, enquanto equipes de busca e resgate enfrentavam dificuldades devido ao terreno montanhoso, às estradas destruídas e ao volume de água e detritos nas áreas atingidas.

Do lado chinês, o deslizamento atingiu a área do porto de Gyirong e comprometeu estradas, sistemas de comunicação e o fornecimento de energia. O condado fica em uma importante área de ligação entre o Tibete e o Nepal.

As autoridades mobilizaram policiais, militares e equipes de emergência para procurar sobreviventes e retirar moradores de áreas consideradas vulneráveis. O governo do Nepal também enfrentou dificuldades para utilizar helicópteros em alguns dos locais mais afetados devido às condições da região e ao nível das águas.

A causa exata do desastre ainda estava sendo analisada. Inicialmente, o evento foi registrado como um terremoto de magnitude 4,4, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) revisou a informação e concluiu, após nova análise das ondas sísmicas, que a energia detectada havia sido gerada por um deslizamento de terra. Especialistas também analisam a possibilidade de que o desprendimento de parte de uma geleira tenha contribuído para a formação da inundação.

A região do Himalaia é marcada por terreno íngreme, rios de montanha e a presença de geleiras e lagos glaciais. Durante a monção de verão, entre junho e setembro, chuvas intensas aumentam o risco de inundações e deslizamentos no Nepal e em outras áreas do sul da Ásia. O distrito de Rasuwa, uma das áreas atingidas, tem cerca de 50 mil habitantes e já havia registrado outros episódios relacionados a inundações na região.

As buscas continuavam após o desastre, enquanto as autoridades atualizavam os números de mortos e desaparecidos e avaliavam a extensão dos danos nas comunidades e infraestruturas atingidas nos dois lados da fronteira.