Levar o atendimento de saúde para dentro da casa do paciente, ampliar a participação da família no cuidado e permitir a continuidade de tratamentos que, em outras circunstâncias, exigiriam permanência hospitalar. Essa é a proposta do Programa Melhor em Casa, serviço do Sistema Único de Saúde (SUS) que atua em Dias d’Ávila com equipe multiprofissional e acompanhamento de pacientes de diferentes idades e perfis clínicos. O funcionamento do serviço e os resultados da atenção domiciliar no município foram apresentados pela coordenadora Gabrielly Areias, entrevistada nesta sexta-feira (28) no programa É do Povo.
“O programa Melhor em Casa é um programa do SUS voltado ao atendimento domiciliar. A gente leva o serviço de saúde para além dos muros de hospitais e de unidades de saúde até a casa do paciente”, explicou Gabrielly. Segundo Gabrielly, o serviço atende pacientes que necessitam de cuidados de saúde no domicílio, conforme avaliação clínica e os critérios de elegibilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Entre os casos acompanhados estão pessoas com diferentes condições e necessidades de cuidado, incluindo pacientes em pós-operatório, em recuperação após AVC, com necessidade de curativos especiais ou medicação venosa e aqueles que estão em cuidados paliativos.
A coordenadora ressaltou que o atendimento não corresponde ao modelo de home care particular, no qual profissionais podem permanecer durante várias horas na residência. “A gente presta os atendimentos de saúde, amplia o cuidado da família, fortalece os vínculos, orienta e a gente vai até outra casa realizando outros atendimentos”, afirmou.
A inclusão no programa segue critérios clínicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O Programa Melhor em Casa é uma política do SUS existente desde 2011. Em Dias d’Ávila, o serviço foi implantado em 2022, durante a gestão do prefeito Alberto Castro. Atualmente, seu funcionamento segue as regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde, entre elas as atualizadas pela Portaria GM/MS nº 3.005/2024. “Então, a gente tem a portaria 3.005 / 2024, que existem critérios de elegibilidade. O paciente é avaliado pelo médico, pela equipe de saúde, para saber se ele se encaixa dentro daqueles critérios”, explicou a coordenadora.
O serviço atende moradores de toda a extensão do município, tanto da zona urbana quanto da zona rural, sem restrição de idade. Gabrielly relatou que a equipe já acompanhou recém-nascidos que receberam alta hospitalar para continuidade do tratamento em casa e também uma paciente de 106 anos.
Segundo a coordenadora, o principal objetivo do serviço é a desospitalização. Para isso, a equipe realiza busca ativa em unidades como hospital, maternidade e emergência pediátrica. Quando um paciente internado apresenta perfil compatível com o programa, a alta pode ocorrer de forma assistida, com a continuidade do tratamento organizada para o domicílio. “Esse paciente, quando ele entra nos critérios do Melhor em Casa, ele já recebe uma alta assistida, ou seja, ele já recebe a alta com a garantia do tratamento no seu domicílio. Então, no dia seguinte, a equipe já realiza esse atendimento na casa do paciente”, disse Gabrielly.
Nos casos identificados fora do ambiente hospitalar, o acesso ocorre por meio da rede de Atenção Primária. As Unidades de Saúde da Família encaminham as informações do paciente e a equipe do Melhor em Casa realiza a avaliação de elegibilidade no domicílio. A própria legislação federal estabelece que a Atenção Domiciliar integra a rede do SUS e deve ser articulada com a Atenção Primária e os demais pontos de atenção.
A coordenadora também destacou a diferença entre o acompanhamento domiciliar realizado pelas unidades básicas e aquele desenvolvido pelo Melhor em Casa. “A atenção domiciliar também faz parte da atenção primária à saúde, da unidade básica. A unidade básica já realiza essas visitas domiciliares”, explicou. O Melhor em Casa atua nos casos que se enquadram em perfis de maior necessidade de cuidado e acompanhamento.
Em relação aos números, Gabrielly explicou que a quantidade de pacientes acompanhados varia de acordo com a duração e a complexidade de cada tratamento. Em julho, 62 pacientes passaram pelo acompanhamento domiciliar e, no momento da entrevista, 45 permaneciam em assistência. A diferença ocorre porque alguns tratamentos têm duração mais curta, como determinados esquemas de medicação, enquanto outros exigem acompanhamento prolongado, a exemplo da fisioterapia, dos curativos recorrentes e dos cuidados paliativos. Segundo a coordenadora, o serviço já chegou a acompanhar 65 pacientes em um único mês
A estrutura do serviço em Dias d’Ávila reúne 12 profissionais da área da saúde. A composição inclui médico, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicóloga, nutricionista, assistente social e a coordenadora, que também é enfermeira de formação. A equipe conta ainda com dois motoristas e dois veículos para os deslocamentos. Ao todo são 14 profissionais com os dois motoristas.
O atendimento é organizado a partir de um plano terapêutico individualizado, e a frequência das visitas depende da necessidade de cada paciente. Pessoas submetidas a tratamentos com medicação diária podem receber visitas todos os dias. Em casos de medicamentos administrados a cada 12 horas, podem ocorrer duas visitas diárias. Já os curativos e demais procedimentos seguem a periodicidade definida para cada tratamento.
Outro eixo do trabalho é a orientação aos familiares e cuidadores, que permanecem responsáveis pela continuidade dos cuidados entre uma visita e outra. O objetivo é preparar a família para lidar com a nova realidade do paciente, principalmente nos casos em que houve perda de autonomia ou alteração das capacidades funcionais. “Nosso objetivo é fazer com que as famílias se sintam seguras para aquela nova realidade”, afirmou Gabrielly. A fisioterapia orienta sobre posicionamento, mobilização e transferência; a nutrição trabalha a alimentação; a psicologia acompanha a adaptação emocional do paciente e dos familiares; o serviço social orienta sobre direitos e acesso a benefícios; enquanto médicos e profissionais de enfermagem conduzem os cuidados clínicos e os procedimentos necessários.
A atuação psicológica também ocupa espaço importante no modelo adotado pelo município, especialmente nos casos de pacientes com perda de funcionalidade, amputações, doenças graves ou em cuidados paliativos. O acompanhamento envolve também os familiares e pode incluir situações de luto antecipado. “Às vezes o paciente está numa situação tão entristecida que, se não fosse o papel da psicóloga, a gente não conseguiria avançar”, disse. Para ela, o suporte emocional interfere diretamente no processo de reabilitação e na adaptação à nova condição de saúde.
Em relação aos números, Gabrielly explicou que a quantidade de pacientes atendidos varia de acordo com o tempo de duração de cada tratamento. Em julho, 62 pacientes passaram pelo acompanhamento domiciliar. No momento, 45 permaneciam em assistência. A variação ocorre porque alguns tratamentos têm duração mais curta, como determinados esquemas de medicação, enquanto outros exigem acompanhamento prolongado, como fisioterapia, curativos recorrentes e cuidados paliativos. Segundo a coordenadora, o serviço pode chegar a 65 pacientes acompanhados em um único mês.