Política em Foco Operação Make Up
PF apreende sete armas de Mario Frias durante operação sobre filme de Bolsonaro
Deputado é investigado por suspeita de desvio de emendas para financiar produção; ministro Flávio Dino também determinou medidas cautelares contra parlamentar
10/09/2026 15h34 Atualizada há 4 semanas atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: PF/Divulgação

A Polícia Federal apreendeu sete armas de fogo registradas em nome do deputado federal Mario Frias (PL-SP) durante a Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10) para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos destinados ao filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As armas foram localizadas em endereço diferente daquele em que deveriam estar registradas, e a PF vai apurar possível posse ilegal de arma de fogo.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Ao todo, 29 pessoas são alvos das medidas, entre elas Frias e a empresária Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora ligada ao filme. O Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades vinculadas a Karina, também foram alvo das buscas.

Além do armamento, os agentes apreenderam aparelhos eletrônicos, documentos e veículos de luxo em endereços relacionados aos investigados. O material recolhido será analisado ao longo da apuração. Segundo a decisão de Dino, há suspeitas de envolvimento de Frias em uma organização criminosa e de práticas que podem configurar peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações. As suspeitas ainda são objeto de investigação.

A apuração conduzida pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU) busca esclarecer o possível direcionamento de emendas parlamentares para entidades que receberam recursos públicos por meio de termos de fomento. Frias destinou R$ 2 milhões em emendas, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina da Gama. Segundo informações divulgadas sobre a investigação, R$ 1 milhão desse montante foi destinado a um projeto de empreendedorismo que não teria sido executado.

As investigações também apontam suspeitas de que recursos tenham sido repassados a empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços. A PF identificou movimentações financeiras da ordem de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao esquema investigado.

Além das buscas, Flávio Dino determinou que Mario Frias fique proibido de deixar o Brasil e de manter contato com outros investigados. As mesmas restrições foram impostas aos demais alvos abrangidos pelas medidas cautelares. Na decisão, o ministro apontou risco de alinhamento de versões, combinação de depoimentos, ocultação ou destruição de provas e interferência na coleta de elementos ainda pendentes.

O caso relacionado a “Dark Horse” possui ainda outra frente de investigação no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. Esse inquérito apura repasses que totalizam R$ 61 milhões feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, por solicitação do senador Flávio Bolsonaro (PL), para um fundo nos Estados Unidos relacionado ao financiamento da obra. Nesta semana, o gabinete de Mendonça homologou a delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos e Participações, empresa que teria recebido valores destinados à produção da cinebiografia.

“Dark Horse” ainda não foi lançado. A produção é uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, com Mario Frias entre os responsáveis pelo projeto. A Operação Make Up prossegue com a análise do material apreendido e com a apuração das possíveis irregularidades relacionadas à origem, ao repasse e à utilização dos recursos públicos e privados vinculados ao filme.