O julgamento de Patric Ribeiro Tupinambá e Edgar da Silva Santos, acusados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) pela morte do cabeleireiro Valdir Macário, foi adiado pela quinta vez nesta quinta-feira (10), em Salvador. A sessão estava marcada para as 8h, no Fórum Ruy Barbosa, mas não foi realizada após o advogado Ivan Jezler Costa Junior, que representa Edgar, apresentar atestado médico informando que estava com virose. O Tribunal do Júri foi remarcado para 6 de outubro, no mesmo local e horário.
Segundo uma fonte do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) ouvida sob anonimato pelo CORREIO, o advogado comunicou a condição de saúde à Justiça antes do início dos trabalhos. A ausência da defesa técnica poderia comprometer a validade do julgamento, já que a realização da sessão sem um defensor constituído para o réu poderia resultar em questionamento posterior.
A nova data foi definida pelo juiz Paulo Sérgio Barbosa, titular do 2º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador, após a análise do pedido da defesa. De acordo com a fonte, a próxima data disponível com o magistrado seria 18 de setembro, mas a proximidade poderia levar a um novo adiamento caso o advogado ainda estivesse se recuperando. Por isso, o julgamento ficou para 6 de outubro. A informação sobre o estado de saúde do defensor também consta na ata da sessão.
Esta era a quinta tentativa de realizar o julgamento dos dois acusados. A sessão anterior havia sido marcada para 6 de agosto, mas foi adiada depois que um dos advogados de defesa deixou o processo. Na ocasião, a estrutura necessária para a realização do júri já estava preparada, mas a mudança foi necessária para assegurar a defesa dos réus.
Conhecido como Valdir Cabeleireiro, Valdir Macário foi empresário e cabeleireiro e ganhou projeção em Salvador pelo trabalho desenvolvido no setor da beleza. Ele também era formado em Moda. Sua carreira começou em 1986, quando atendia amigos e vizinhos na porta de casa, no Engenho Velho de Brotas. Com o passar dos anos, criou um salão na Avenida Vasco da Gama, que se tornou conhecido na cidade e recebeu artistas baianos e nacionais. Entre os clientes estavam nomes como Alexandre Pires, Márcia Short, Márcio Victor, Beto Jamaica, Tatau e o ex-jogador Edilson.
Valdir foi assassinado em 12 de novembro de 2016, aos 45 anos, dentro do próprio salão, na Avenida Vasco da Gama. Segundo a denúncia do MP-BA, Patric e outros dois homens teriam entrado no estabelecimento para executar a vítima, enquanto Edgar teria ordenado o ataque e permanecido do lado de fora para facilitar a fuga. A acusação aponta ainda que Valdir percebeu a movimentação, tentou se esconder no banheiro e foi atingido pelos disparos.
Ainda conforme a denúncia, o homicídio teria sido motivado por vingança. Edgar seria ligado ao tráfico de drogas e teria passado a acreditar que Valdir havia contribuído para a aproximação de seu irmão, Reginaldo, com a companheira dele. Essas circunstâncias fazem parte da acusação apresentada à Justiça e ainda serão analisadas pelo Tribunal do Júri.
O novo julgamento está marcado para 6 de outubro, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Patric Ribeiro Tupinambá e Edgar da Silva Santos serão submetidos ao Tribunal do Júri para que os jurados analisem as acusações relacionadas à morte de Valdir Macário, quase dez anos após o crime.