Durante sabatina no jornal Bahia Meio Dia, da TV Bahia, afiliada à TV Globo, nesta terça-feira (15), o ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou que pretende processar o governador Jerônimo Rodrigues (PT) por calúnia. Neto negou irregularidades relacionadas ao Banco Master, afirmou que sua atuação foi lícita e transparente e classificou o vazamento de um documento relacionado ao caso como uma tentativa de interferência no processo eleitoral, a cerca de 20 dias das eleições de 2026.
“Vou do começo pro fim da pergunta, até porque ontem eu assisti aqui a entrevista do governador Jerônimo Rodrigues fazendo acusações a mim, e eu quero afirmar para todos que estão nos acompanhando que eu vou processar o governador Jerônimo por calúnia. Porque as matérias que foram veiculadas na semana passada, de uma suposta delação do Daniel Vorcaro, que ninguém nem sabe se aconteceu”, afirmou Neto. Segundo ele, o material teria sido divulgado sem autoria identificada e utilizado com finalidade eleitoral.
“Então foi um documento sem autoria, vazado há 20 dias da eleição, com um claro propósito de interferir no processo eleitoral. E aqui o governador ele quis explorar isso, ele vai responder, vai ser processado por mim, por calúnia”, declarou o candidato, elevando o tom contra Jerônimo e transformando o episódio em mais um capítulo da disputa política pelo governo da Bahia.
Neto também direcionou críticas ao governador ao questionar a permanência do secretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Mendonça Sodré Martins, no cargo. O secretário, que é enteado do senador Jaques Wagner (PT), foi citado em documentos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master. Conforme as informações apresentadas sobre a investigação, há menções a supostas cobranças envolvendo um ex-sócio do banco para pagamento de um imóvel de luxo e a repasses financeiros para uma empresa ligada à esposa do secretário. Jerônimo manteve Sodré no cargo e argumentou que não havia provas definitivas ou determinação judicial para o afastamento.
“Agora, é engraçado porque ele não justificou o seu secretário de meio ambiente, que ocupa cargo público, e que está no centro das investigações. É bom lembrar que desde 2021 eu não exerço nenhum cargo público, não exercia nenhuma função pública. O meu trabalho com o Master começou em janeiro de 2023, quando eu não exercia nenhuma função nem cargo público”, disse Neto. O candidato afirmou ainda que sua atuação ocorreu por meio de consultoria e que houve contrato, emissão de nota fiscal, pagamento de impostos e prestação de serviços.
“Tudo foi feito de forma transparente, com contrato, com nota fiscal emitida, com imposto pago, e com serviço prestado. O meu trabalho consistia em consultoria política, econômica, análise de cenário, avaliação das coisas que tramitavam no Congresso Nacional, a experiência que eu tinha, e que trouxe para esse trabalho. Um trabalho lícito, quando eu trabalhei com o Banco Master”, afirmou. Neto também disse ter se colocado à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e voltou a acusar adversários políticos de estarem por trás da divulgação do documento.
“Eu não acredito em coincidência, né, a começar daí. Então, de repente, vem esse fato, um documento sem autoria, apócrifo, que ninguém sabe de onde veio, vazado com propósito bem claro há 20 dias da eleição. Na minha opinião isso vem dos nossos adversários políticos, que estão com problema, que não conseguem se que não conseguem se justificar, e que utilizam de notícias falsas e mentirosas porque ali era conjunto de mentiras, uma peça de ficção”, declarou. Ao final, reforçou que pretende levar o caso à Justiça: “é exatamente por isso que eu reagi com toda força e estou dizendo, o processo vai ser feito contra o governador Jerônimo Rodrigues por calúnia”.