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Esporte Análise

Futebol brasileiro vive impasse entre passado e ciência

Tostão reflete sobre a carência de meias criativos e os fracassos nas últimas Copas

16/09/2026 11h44
Por: Redação Fonte: A Tarde
Reprodução / @rafaelribeirorio / CBF
Reprodução / @rafaelribeirorio / CBF

Ancelotti, pela primeira vez, reconheceu que existe uma carência de grandes meio-campistas no futebol brasileiro. Disse ainda que a Espanha joga com muita posse de bola, troca de passes e associações no meio campo porque tem a sorte de possuir jogadores excepcionais no setor.

A cultura da formação e a exceção no Brasil

Não é por sorte. A Espanha forma um grande número de excelentes meio-campistas por convicção. No Brasil, os jogadores hábeis e criativos são deslocados para atuarem mais na frente, centralizados, no ataque ou pelas pontas. Aqui, persiste ainda a antiga divisão no meio campo entre os volantes que marcam e os meias que atacam, embora nos últimos anos tenham surgido bons meio-campistas que atuam de uma intermediaria a outra. Porém, não há com exceção de Bruno Guimarães, outro meio-campista de talento para o nível de uma seleção brasileira. Existem promessas.

A Espanha, campeã do mundo, bastante aplaudida, poderia ter jogado melhor se Pedri tivesse brilhado como faz habitualmente e se Lamine Yamal estivesse em forma, pois se recuperava de uma contusão durante o mundial. Há décadas, os espanhóis priorizam o meio campo. Uns 20 anos atrás, o Barcelona, encantou o mundo e revolucionou o futebol, sob o comando de Guardiola, com um trio de craques meio-campistas formado por Busquets, Xavi e Iniesta. No mesmo modelo, a Espanha foi campeã do mundo em 2010 e bi da Europa em 2008 e 2012.

O equilíbrio entre posse de bola e velocidade

O time atual do Barcelona, com a contratação de Rodri, maestro e condutor do meio campo da seleção, ficou ainda mais forte com a presença de outros campeões do mundo: Pedri, Olmo, o zagueiro Cubarsi, além de Raphinha.

Evidentemente, a maneira de jogar da Espanha não é a única eficiente. O ideal é unir, em um mesmo jogo, a posse de bola e a troca curta de passes com as transições rápidas da defesa para o ataque, de acordo com o momento. Para isso, é necessário saber o instante certo de pausar, ficar com a bola e o de acelerar em direção ao gol.

O impasse do futebol brasileiro

O futebol brasileiro vive um impasse. Não sabe se volta ao passado, como querem muitos saudosistas, priorizando o drible, a improvisação e as jogadas de efeito ou se adota uma postura mais cientifica, pragmática, racional, como se tivesse um GPS para mostrar o caminho em direção ao gol.

Após o encantador futebol dos anos 60 e 70, época de esplendor também nas artes com o magistral livro Grande Sertão Veredas escrito por João Guimarães Rosa e o surgimento de artistas geniais, como Chico Buarque, Caetano Veloso e tantos outros, houve, a partir dos anos 80, progressivamente, uma grande transformação no futebol por causa da evolução cientifica. O jogo ficou mais estratégico, previsível e ruim.

A reinvenção dos craques

Nos últimos 20 anos ocorreu uma reação, especialmente na Europa, com a união entre o jogo inventivo dos anos 60 e o pragmatismo e a disciplina tática. O futebol renasceu, voltou a ser bonito e eficiente, maneira de jogar que ainda não foi bem assimilada pelo futebol brasileiro, uma das razões dos fracassos nos últimos seis mundiais.

Seja qual for a época, não existe um único caminho para obter ótimos desempenhos e resultados. No instante do lance, os grandes craques inventam e reinventam o futebol.

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