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Política em Foco Crise no STF

Investigado no caso Master, Wagner comemora freio no STF e defende julgamento de Moraes após eleição

Sem citar o próprio nome, parlamentar questionou suposta seletividade nas investigações e criticou divulgação de informações envolvendo Flávio Bolsonaro

16/09/2026 13h51 Atualizada há 3 semanas atrás
Por: Keila Abreu Fonte: Mais Região
Reprodução/Desconhecida
Reprodução/Desconhecida

O senador Jaques Wagner (PT-BA), que é investigado pela Polícia Federal no âmbito do caso Banco Master, comemorou a suspensão do julgamento que envolve o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu que a discussão seja retomada somente depois das eleições. A declaração foi dada durante entrevista a uma rádio de Salvador, na manhã desta terça-feira (16).

Ao comentar o pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino na sessão de segunda-feira (15), Wagner afirmou que a interrupção foi positiva para que os envolvidos “baixem a bola” e possam conversar. “Eu acho que o debate de ontem, ainda bem que o ministro Flávio Dino pediu vista, porque pelo menos suspendeu, para baixar a bola, as pessoas se conversarem”, declarou. Na sequência, defendeu que o assunto seja deixado para depois do processo eleitoral: “Se puder deixar para depois da eleição, apesar dos estragos já feitos, eu acho que parava, deixa o povo escolher e depois vocês vão lá e debater esse tema”.

A posição ganha peso diante da própria situação do senador nas investigações do Banco Master. Wagner foi alvo de busca e apreensão em junho, durante a Operação Compliance Zero, e posteriormente foi intimado pela PF para prestar depoimento. A oitiva, inicialmente marcada para agosto, foi adiada a pedido da defesa, que alegou não ter tido acesso integral aos documentos da investigação. A PF apura, entre outros pontos, suspeitas de pagamentos e vantagens econômicas relacionadas ao grupo ligado ao antigo Banco Master. Wagner nega irregularidades.

Documentos da investigação também apontaram que a PF identificou 74 ligações, totalizando cerca de cinco horas e meia de conversas, entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e um dos personagens centrais da apuração. Relatórios policiais ainda levantaram suspeitas sobre a atuação parlamentar do senador em temas de interesse da instituição financeira. As informações são objeto de investigação e não representam, por si só, uma conclusão de responsabilidade criminal.

Sem citar diretamente o próprio caso, Wagner questionou o que considera um possível tratamento desigual entre investigados. “Eu prefiro não citar, mas o cara pega quem interessa antes da eleição, mas outros grupos que também estão citados no processo, ninguém bole”, afirmou. Em seguida, mencionou o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e questionou por que informações envolvendo o parlamentar vieram a público neste momento.

Flávio Bolsonaro foi incluído em julho em uma investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a Agência Brasil, a apuração investiga a participação do senador em supostos crimes relacionados ao repasse de R$ 61 milhões para a produção. Flávio nega irregularidades.

Wagner também insinuou que o ministro André Mendonça teria adotado critérios diferentes na divulgação das informações. “Foi feita muita leviandade até aqui para atingir com o viés político-partidário eleitoral”, afirmou. A fala ocorre em meio à crise interna do STF provocada pelo caso Banco Master. Na sessão de segunda-feira, ministros divergiram sobre a condução das investigações envolvendo Moraes e Mendonça, e Flávio Dino pediu vista, suspendendo a análise. O placar parcial estava em 4 votos a 3 pela tramitação separada dos casos.

 

 
 
 
 
 
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