O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, em um corte de 0,25 ponto percentual. A decisão foi unânime e representa a quinta redução consecutiva da taxa básica de juros da economia. O comitê afirmou que a medida é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta.
Segundo o Copom, os indicadores econômicos divulgados desde a reunião anterior apontam para uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente nos setores mais cíclicos, embora a economia ainda permaneça em patamar considerado resiliente. O mercado de trabalho continua aquecido, enquanto os dados mais recentes mostram desaceleração da inflação cheia e da média dos indicadores subjacentes. Ainda assim, as medidas seguem acima da meta, embora abaixo do limite superior do intervalo de tolerância.
A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para influenciar a inflação. A elevação dos juros encarece o crédito e tende a reduzir empréstimos, investimentos e consumo, enquanto a redução da taxa pode favorecer o crédito, novos negócios, contratações e gastos das famílias. Os efeitos da política monetária, no entanto, não ocorrem de forma imediata: as mudanças na Selic levam de seis a 18 meses para produzir impacto pleno sobre a economia.
Apesar da desaceleração recente dos preços, as expectativas de inflação permanecem acima da meta central de 3%. Na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira (14), o mercado financeiro reduziu de 5% para 4,9% a projeção para a inflação de 2026. Para 2027 e 2028, as estimativas estavam em 4,3% e 3,8%, respectivamente.
Desde o início de 2025, o sistema de metas de inflação passou a ser contínuo, com objetivo central de 3%. A meta é considerada cumprida quando a inflação permanece entre 1,5% e 4,5%. Com a inflação acumulando seis meses consecutivos acima da meta em junho, o Banco Central precisou divulgar uma carta pública explicando as razões do descumprimento. Para definir a política monetária, o Copom considera principalmente as projeções futuras, e não apenas a variação corrente dos preços.
O cenário fiscal também continua no radar do comitê. O Copom afirmou que acompanha os efeitos dos desdobramentos da política fiscal doméstica sobre a política monetária e os ativos financeiros, em um ambiente de maior incerteza. A próxima reunião do colegiado ocorrerá depois do segundo turno das eleições.
No cenário externo, o Banco Central apontou incertezas relacionadas à indefinição sobre conflitos armados no Oriente Médio e às decisões de política monetária de algumas economias avançadas. Na avaliação do Copom, esse ambiente exige cautela dos países emergentes, especialmente diante da maior volatilidade nos preços de ativos e commodities.
A decisão brasileira ocorreu no mesmo dia em que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta do Fed desde julho de 2023 e interrompeu uma sequência de cinco reuniões com a taxa inalterada. A elevação ocorreu em meio às preocupações com a inflação, entre outros fatores, diante do aumento do preço do petróleo associado às tensões no Oriente Médio.
No Brasil, mesmo com a redução da Selic, o país permaneceu com o maior juro real do mundo, segundo levantamento citado pelo g1. O indicador, calculado a partir da taxa nominal descontada a inflação prevista para os 12 meses seguintes, ficou em 8,45%. A Rússia aparecia em segundo lugar, com 6,79%, seguida pela Colômbia, com 6,33%.
O Copom não sinalizou os próximos passos da política monetária e afirmou que seguirá acompanhando a evolução da inflação, das expectativas e das condições econômicas. A instituição também destacou a necessidade de manter uma postura de cautela diante da incerteza elevada e dos riscos que envolvem o cenário econômico.
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