Mata de São João Mata de São João
Moradores de Vila Sauípe protestam na entrada da Costa do Sauípe por acesso à praia
Comunidade rejeita propostas apresentadas em reunião com a empresa e cobra acesso de veículos até a região da praia
18/09/2026 10h47 Atualizada há 3 dias atrás
Por: Anderson Almeida Fonte: Mais Região
Reprodução

Moradores de Vila Sauípe e de outras localidades do litoral de Mata de São João realizaram, na manhã desta sexta-feira (18), uma manifestação na entrada do complexo Costa do Sauípe. Com apitos e cartazes, o grupo cobra a manutenção de um acesso utilizado historicamente pela comunidade para chegar à praia e afirma que a passagem para veículos foi restringida. A mobilização é organizada pelo movimento “Vila Sauípe Também é Praia”.

Durante o programa É do Povo, transmitido pela Rádio Sauípe FM (102,9), a liderança comunitária Vera Brandão afirmou que os moradores estão no local desde as 6h30 e que atualmente o acesso seria permitido apenas a pedestres, bicicletas e veículos como bicicletas-táxi. Segundo ela, a comunidade reivindica a possibilidade de chegar de carro próximo à praia, principalmente para atender idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. Vera também afirmou que o caminho é utilizado por moradores que trabalham em casas e propriedades da região e por pessoas que dependem da área para atividades profissionais.

A liderança relatou ainda um episódio ocorrido durante a manifestação envolvendo um homem identificado por ela como Tiago, que, segundo Vera, seria ligado à empresa responsável pela área. De acordo com o relato feito ao vivo, o veículo teria avançado em direção aos manifestantes durante um momento de liberação da passagem. A afirmação foi feita pela liderança comunitária durante a entrevista e não foi possível confirmar de forma independente a dinâmica do episódio. Vera disse que policiais estavam no local e acompanhavam a situação.

A manifestação ocorre após uma reunião realizada na quinta-feira (17), com participação de representantes da empresa e integrantes da comunidade. Segundo Vera e o vereador Dadau Reis, duas propostas foram apresentadas para solucionar o impasse, mas nenhuma delas foi aceita pelos moradores. Entre as alternativas mencionadas pelo vereador estão a implantação de um acesso destinado a pedestres e bicicletas, com trechos pavimentados e em piso intertravado. A comunidade, no entanto, defende que o acesso permita a circulação de veículos até uma área próxima à praia.

Dadau Reis, que também participou da entrevista no É do Povo, afirmou que a reivindicação é antiga e que novas reuniões já foram realizadas na tentativa de encontrar uma solução. O vereador disse que o prefeito Bira, a secretária de Governo, Sâmella Martins, e a secretária de Planejamento e Meio Ambiente, Yuka Fujiki, participaram das discussões e demonstraram preocupação em encontrar uma alternativa para a comunidade. Segundo ele, a Prefeitura também busca uma solução que considere tanto a reivindicação dos moradores quanto os impactos que uma abertura completa do acesso poderia provocar na região.

A própria liderança comunitária reconheceu que a abertura de um acesso para veículos pode aumentar o fluxo de pessoas na praia e gerar impactos. Durante a entrevista, Dadau afirmou que essa também é uma preocupação dele e defendeu que Prefeitura, empresa, comunidade e órgãos públicos discutam conjuntamente uma solução. Os moradores, por sua vez, afirmam que não querem impedir o funcionamento do complexo, mas garantir o direito de chegar à praia. A legislação federal estabelece que as praias são bens públicos de uso comum e assegura o livre e franco acesso, ressalvadas as exceções previstas em lei.

Segundo Vera Brandão, após a manifestação desta sexta-feira, a comunidade pretende procurar o Ministério Público da Bahia e outros órgãos para buscar uma mediação. O movimento também encaminhou ofício à Prefeitura de Mata de São João, ao MP-BA e à Secretaria do Patrimônio da União solicitando a identificação dos acessos públicos, garantia de passagem e fiscalização. A reportagem procurará a empresa responsável pelo complexo e os órgãos públicos envolvidos para que apresentem suas posições sobre as reivindicações e os episódios relatados durante a manifestação.

Acompanhe a entrevista: