Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro deverão voltar a discutir com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) duas propostas para alterar as regras do futebol nacional: o fim do limite de jogos para transferências entre equipes da mesma edição do campeonato e a criação de equipes B para disputar competições oficiais. As ideias foram apresentadas por Guilherme Bellintani, proprietário da SAF do Londrina e ex-presidente do Bahia, durante reunião realizada na segunda-feira (21), no Rio de Janeiro, e ficaram para um próximo encontro entre a entidade e os clubes.
Uma das propostas prevê a retirada da regra que atualmente impede um jogador de atuar por outra equipe na mesma edição do Campeonato Brasileiro caso tenha disputado mais de 12 partidas pelo clube anterior. O limite havia sido ampliado de seis para 12 jogos para a temporada de 2026, em razão das particularidades do calendário deste ano. A mudança permitiria que atletas que perderam espaço em seus clubes pudessem trocar de equipe ainda durante a competição. O tema, porém, ainda não foi votado e deverá ser novamente debatido em uma próxima reunião entre CBF e clubes.
A segunda proposta trata da criação de equipes B por clubes brasileiros para participação em competições oficiais. A ideia é inspirada em modelos utilizados por equipes europeias, como Barcelona, Benfica e Porto, e permitiria que clubes das Séries A, B ou C mantivessem um segundo time em atividade competitiva, ampliando o espaço para jogadores em formação. Ainda não há definição sobre qual competição essas equipes disputariam, quais seriam os critérios de participação ou como funcionaria o eventual acesso entre as divisões. Esses detalhes dependeriam de uma discussão caso a proposta avance.
A intenção apresentada é criar uma etapa intermediária entre as categorias de base e o futebol profissional, permitindo que jovens que ainda não estejam preparados para atuar regularmente na equipe principal permaneçam em um ambiente competitivo, com calendário próprio e mais oportunidades de jogo. “A gente teria uma formação de atletas no médio prazo muito mais consolidada aqui no Brasil”, afirmou Bellintani.
A discussão ocorre em meio a outras mudanças já aprovadas para as próximas temporadas. Na reunião de segunda-feira, CBF, clubes das Séries A e B e federações aprovaram a redução gradual do limite de jogadores estrangeiros relacionados por partida no Campeonato Brasileiro. O número, atualmente em nove, passará para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. A regra se refere aos atletas que podem ser relacionados para cada partida e não estabelece um limite para o número de estrangeiros que um clube pode manter sob contrato.
Também foi aprovada uma reformulação na lista de inscritos, mantendo o limite total de 50 jogadores por clube, mas com divisão progressiva entre a Lista A e a Lista B. A primeira será destinada ao elenco principal, com limite para atletas acima de 23 anos, enquanto a Lista B será composta por jogadores Sub-23. Em 2027, serão 30 vagas na Lista A e 20 na Lista B; em 2028, 29 e 21; em 2029, 27 e 23; e, em 2030, 25 atletas em cada lista.
A medida relacionada às listas busca ampliar o espaço para jogadores mais jovens sem reduzir o total de inscritos. Dados apresentados pela CBF apontam que a participação de atletas Sub-23 diminuiu nos últimos anos, em um cenário associado pelo diagnóstico da entidade ao aumento da presença de estrangeiros e jogadores mais experientes nos elencos.
As mudanças aprovadas também incluem alterações na distribuição dos horários das partidas. Na Série A, o domingo passará a concentrar a maior parte dos jogos, com 16h como horário-âncora, enquanto a quarta-feira terá seis partidas na chamada “Super Quarta”. Na Série B, o sábado será o principal dia da rodada, com três jogos às 18h, além de janelas exclusivas em relação à Série A. Durante a semana, os jogos da segunda divisão ficarão concentrados nos horários de 19h30 e 21h, entre terça e quinta-feira. A nova grade também elimina partidas às 19h durante a semana e aos domingos à noite, além de reduzir a sobreposição de jogos entre as duas divisões.
Para Bellintani, as alterações precisam considerar não apenas as competições no curto prazo, mas também o desenvolvimento dos atletas. “É muito importante que essas decisões sejam pensadas também para o médio e longo prazo. A gente precisa olhar para a formação, para o espaço dos jovens e para a dinâmica das competições”, afirmou.
As propostas sobre transferências e equipes B ainda dependem de nova discussão entre CBF e clubes e, até o momento, não há decisão sobre sua adoção. Já as mudanças referentes ao número de estrangeiros, às listas de inscritos e aos horários das Séries A e B foram aprovadas na reunião de 21 de setembro.