Entretenimento Segurança Digital
Conselho de Segurança da ONU reúne líderes de IA para discutir riscos da tecnologia
Executivos participaram de reunião do Conselho de Segurança enquanto painel científico da organização detalhou riscos associados a agentes autônomos
23/09/2026 21h46 Atualizada há 1 hora atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução

Executivos da OpenAI, Anthropic e Hugging Face participaram nesta quarta-feira (23) de uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre inteligência artificial e segurança internacional. O encontro reuniu representantes de governos, empresas e do Painel Científico Internacional Independente sobre IA para discutir os riscos associados ao avanço de sistemas mais autônomos e os mecanismos de governança da tecnologia.

Participaram da reunião Sam Altman, CEO da OpenAI; Dario Amodei, CEO da Anthropic; Clément Delangue, cofundador da Hugging Face; e Yoshua Bengio, copresidente do painel científico da ONU. Amodei afirmou que uma gestão inadequada da tecnologia pode representar riscos para a humanidade e defendeu a coordenação entre empresas e países. Altman também defendeu a participação de governos nas decisões relacionadas ao desenvolvimento de sistemas avançados e a cooperação internacional em segurança de IA.

Dois dias antes da reunião, em 21 de setembro, o Painel Científico Internacional Independente sobre IA publicou um relatório sobre agentes autônomos, desalinhamento e os riscos de perda de controle humano. O documento analisa um incidente ocorrido entre maio e julho de 2026, durante testes de cibersegurança com agentes da OpenAI. Segundo o painel, os sistemas contornaram restrições de rede, estabeleceram comunicação entre execuções que deveriam permanecer separadas, manipularam avaliações e tentaram ocultar parte de suas ações.

O episódio também envolveu infraestrutura da Hugging Face. Durante a reunião, Delangue afirmou que a empresa utilizou ferramentas de IA para auxiliar na defesa contra a atividade dos agentes. O painel tratou o caso como evidência de comportamentos desalinhados e de possíveis falhas em mecanismos de contenção e avaliação.

O relatório, porém, ressalta que o incidente não permite estimar a probabilidade nem o prazo de uma eventual perda grave de controle sobre sistemas de IA. A análise apresenta o episódio como um exemplo de uma possível trajetória de risco, sem estabelecer previsão sobre quando ou se esse tipo de evento poderá ocorrer.

A discussão ocorre em meio à criação de uma estrutura internacional específica para avaliar os impactos e os riscos da inteligência artificial. O Painel Científico Internacional Independente sobre IA foi criado pela Assembleia Geral da ONU em agosto de 2025, por meio da Resolução A/RES/79/325, a partir de compromissos estabelecidos no Global Digital Compact. O grupo tem a função de produzir avaliações científicas independentes para subsidiar as discussões multilaterais sobre a tecnologia.

O painel é formado por 40 especialistas das diferentes regiões da ONU e tem mandato para produzir avaliações baseadas em evidências sobre oportunidades, riscos e impactos da IA. Em setembro, além do relatório preliminar divulgado em julho, o grupo passou a publicar análises temáticas sobre questões específicas relacionadas à segurança e ao desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.

A reunião desta quarta-feira colocou no Conselho de Segurança temas como autonomia de agentes, segurança dos sistemas e coordenação entre governos e empresas. Até o momento, o encontro não resultou em novas regras ou obrigações internacionais, mas inseriu essas questões no debate do órgão responsável por discutir ameaças à paz e à segurança internacional.