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Greve dos Correios termina após decisão do TST; trabalhadores terão reajuste

TST determinou retorno ao trabalho, compensação dos dias parados e reajuste retroativo a 1º de agosto; novas regras do plano ainda serão definidas

24/09/2026 23h15 Atualizada há 40 minutos atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

A greve dos trabalhadores dos Correios termina nesta sexta-feira, 25 de setembro, após 15 dias de paralisação e uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que definiu reajuste salarial de 4,09% para a categoria, com efeito retroativo a 1º de agosto. O mesmo percentual será aplicado a benefícios vinculados ao salário, como vale-refeição e bolsa-creche. A Corte também determinou o retorno às atividades e autorizou a compensação dos dias parados, sem desconto nos salários.

O julgamento do dissídio coletivo foi concluído nesta quinta-feira, 24, pela Seção de Dissídios Coletivos do TST. A Corte rejeitou o pedido dos Correios para que a paralisação fosse considerada abusiva e também afastou a aplicação de multa às entidades que representam os trabalhadores. A decisão determinou que os dias não trabalhados sejam compensados pela categoria, em vez de descontados dos salários.

A greve começou em 10 de setembro, após as negociações da campanha salarial terminarem sem acordo. O principal impasse envolvia mudanças no plano de saúde dos empregados. Antes da conclusão do julgamento, o TST havia determinado a manutenção de 80% do efetivo dos Correios em atividade durante a paralisação, em razão da essencialidade do serviço e do impacto que uma interrupção poderia provocar no período eleitoral.

A decisão também alterou as regras relacionadas ao plano de saúde dos funcionários. Pelas novas condições, os Correios deixarão de atuar como mantenedores do benefício e não serão mais os únicos responsáveis pelos riscos relacionados ao plano. A mudança, porém, não será aplicada de forma imediata. Enquanto um novo modelo não for definido, permanecem em vigor as regras atuais.

Os Correios defendiam a mudança como uma medida para reduzir despesas da estatal. Antes do julgamento, a categoria havia contestado a proposta de alteração e manifestado preocupação com os possíveis efeitos sobre empregados, aposentados e dependentes. A proposta de reajuste apresentada inicialmente pela empresa era de 0,87%, enquanto os trabalhadores reivindicavam recomposição compatível com a inflação acumulada e ganho real, além da retomada de outros direitos e pagamentos previstos anteriormente.

O julgamento do dissídio começou na segunda-feira, 21 de setembro, mas foi suspenso após os Correios apresentarem novos documentos e questionarem o cumprimento da determinação que exigia a manutenção de 80% do efetivo em atividade. As entidades representantes dos trabalhadores receberam prazo para se manifestar, e a análise foi retomada na quinta-feira, 24. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo e reproduzidas pelo Correio, a empresa alegou que a quantidade de funcionários em atividade não era suficiente para manter todas as etapas da operação, incluindo atendimento, tratamento, transporte, distribuição e suporte.

Com o encerramento da paralisação, a estatal também segue diante de um cenário financeiro que exige medidas de reestruturação. Os Correios aguardam uma definição sobre um empréstimo de R$ 7 bilhões, negociado com um grupo de bancos e com garantia da União. No fim de 2025, a empresa havia contratado outro empréstimo, de R$ 12 bilhões, também com garantia federal, para o pagamento de dívidas e a regularização das operações. A operação de R$ 7 bilhões é tratada como uma nova captação para reforçar a situação financeira da companhia.

A operação de R$ 12 bilhões foi contratada pelos Correios com cinco bancos, também com garantia da União, e integra o plano de reestruturação da estatal. Em agosto, a Agência Brasil informou que a empresa ainda negociava uma nova operação de crédito de aproximadamente R$ 7 bilhões, igualmente com aval do governo federal.

Com a decisão do TST, os trabalhadores devem retomar as atividades nesta sexta-feira, 25, encerrando a paralisação iniciada em 10 de setembro. O reajuste salarial e dos benefícios passa a valer retroativamente a agosto, enquanto a compensação dos dias parados e a mudança no modelo do plano de saúde serão cumpridas conforme as condições estabelecidas pelo tribunal.

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