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City é culpado em 114 acusações e pode ser expulso da Premier League

Manchester City foi considerado culpado em 114 das 115 acusações relacionadas às regras financeiras

25/09/2026 11h55
Por: Redação Fonte: A Tarde
Reprodução
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O Manchester City — clube matriz do Grupo City, conglomerado detentor de 90% da SAF do Bahia — foi considerado culpado em 114 das 115 acusações relacionadas a supostas violações dos regulamentos financeiros da Premier League. A informação foi divulgada pelo jornalista David Ornstein, do The Athletic, dos Estados Unidos.

Apesar da decisão sobre as acusações, as possíveis sanções ainda não foram definidas. Todas as alternativas permanecem sobre a mesa, incluindo punições esportivas, que podem excluir o clube da Premier League, e o City deve recorrer do resultado.

Segundo fontes informadas sobre o caso e que falaram sob anonimato por não estarem autorizadas a se manifestar publicamente, o clube inglês foi considerado culpado em todas as acusações, com exceção de uma.

Em resposta ao The Athletic, um porta-voz do Manchester City afirmou que o processo ainda não foi concluído e reforçou a posição adotada pelo clube desde o início do caso.

Confira:

“O processo da Premier League continua em andamento, com elementos importantes ainda a serem concluídos, e está sujeito a rígidas regras de confidencialidade. Dessa forma, a posição do Manchester City FC permanece de acordo com a declaração do clube de fevereiro de 2023.

O clube respeitou diligentemente o devido processo durante oito anos, com base na expectativa de que a diretoria e a administração da Premier League atuariam como um órgão regulador independente, imparcial e justo, livre de influência partidária.”

Em fevereiro de 2023, quando as acusações foram formalmente apresentadas, o City declarou estar “surpreso” com o processo e afirmou que “recebe com satisfação a análise deste caso por uma comissão independente, para considerar de forma imparcial o conjunto abrangente de evidências irrefutáveis que existem em apoio à sua posição”.

Entenda a origem das acusações contra o Manchester City

O caso teve origem em uma investigação sobre possíveis violações cometidas pelo Manchester City entre 2009 e 2018. O processo começou após o jornal alemão Der Spiegel publicar, em novembro de 2018, documentos financeiros vazados relacionados ao clube.

A Premier League acusou o City de não apresentar informações financeiras precisas, incluindo dados sobre pagamentos realizados a jogadores e treinadores. O clube também foi acusado de infringir as regras de fair play financeiro (FFP) da UEFA e os regulamentos da própria liga relacionados à lucratividade e sustentabilidade (PSR).

Desde o início do processo, o Manchester City nega as acusações.

Sob propriedade do sheik Mansour, cujo Abu Dhabi United Group adquiriu o clube em 2008, o City conquistou oito títulos da Premier League, quatro Copas da Inglaterra, sete Copas da Liga e uma Liga dos Campeões. Seis dessas conquistas aconteceram depois que as acusações foram apresentadas pela Premier League.

Caso também envolveu punição da UEFA

Antes do processo da Premier League, o Manchester City já havia sido punido pela UEFA em decorrência das informações divulgadas pelo Der Spiegel.

Em fevereiro de 2020, a entidade responsável pelo futebol europeu aplicou uma suspensão de dois anos das competições continentais e uma multa de € 30 milhões (£ 26,8 milhões; US$ 32,2 milhões). Cinco meses depois, entretanto, o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) derrubou a suspensão.

O CAS entendeu que as supostas violações de fair play financeiro não haviam sido comprovadas ou estavam prescritas. Na prática, parte das infrações teria ocorrido tempo demais antes para que pudesse ser aplicada uma punição de acordo com os regulamentos da UEFA.

O City, porém, foi considerado culpado por não cooperar com a investigação ao deixar de apresentar uma quantidade significativa de provas. O CAS classificou a infração como “grave” e afirmou que ela precisava ser “seriamente reprovada”. Por isso, o clube recebeu uma multa de £ 8,8 milhões.

Premier League foi pressionada por demora no processo

A demora na conclusão do processo contra o Manchester City também passou a ser alvo de questionamentos. A Premier League e seu diretor-executivo, Richard Masters, foram cobrados diversas vezes sobre o andamento do caso desde a apresentação das acusações.

No mês passado, Masters reconheceu que o processo havia “demorado mais do que o esperado”, mas defendeu que a “única alternativa disponível” era “deixar o processo seguir seu curso”.

Em janeiro de 2024, o dirigente confirmou, durante uma audiência de uma comissão parlamentar do Reino Unido, que a data da audiência envolvendo o City já havia sido definida. Masters, entretanto, não revelou quando ela aconteceria.

O presidente do Manchester City, Khaldoon Al Mubarak, também se manifestou sobre as regras financeiras da Premier League. Em junho de 2024, ele defendeu uma abordagem mais “equilibrada” por parte da competição.

Acho que a Premier League chegou onde está hoje por ser a liga mais competitiva. Então, espero que haja um pouco mais de bom senso na regulamentaçãoKhaldoon Al Mubarak - presidente do Manchester City

City conquistou títulos durante período investigado

Durante o período em que teriam ocorrido as supostas violações, o Manchester City conquistou três títulos da Premier League, duas Copas da Inglaterra, quatro Copas da Liga e uma Community Shield.

Na última temporada, o clube também conquistou uma dobradinha de copas nacionais na última campanha de Pep Guardiola como treinador. Na Premier League, porém, terminou atrás do Arsenal.

Além do processo relacionado às 115 acusações, City e Premier League travaram uma disputa durante vários anos em torno das regras sobre transações com partes associadas (APT). Em setembro de 2025, as partes chegaram a um acordo sobre a questão.

Guardiola havia renovado seu contrato em novembro de 2024, com vínculo até junho de 2027, e afirmou que continuaria no clube mesmo em caso de eventual rebaixamento provocado por sanções relacionadas às acusações.

O treinador, porém, anunciou em maio que deixaria o Manchester City depois de dez anos no comando da equipe. Posteriormente, foi substituído por Enzo Maresca.

Sob o comando de Maresca, o City começou a temporada 2026-27 com cinco vitórias em cinco partidas e ocupa a liderança da tabela. Na janela de transferências do verão europeu, o clube gastou £ 450 milhões, incluindo a contratação do meio-campista Enzo Fernández, do Chelsea, por £ 125 milhões, valor que igualou o recorde britânico.

Quais punições o Manchester City pode receber?

As possíveis sanções estão previstas na regra W.51 do manual da Premier League. O regulamento estabelece diferentes punições que podem ser consideradas caso um clube seja considerado culpado de infringir as regras financeiras da competição.

Entre as possibilidades estão advertência, multa, perda de pontos e até mesmo a exclusão da Premier League

Uma eventual perda de pontos poderia ser aplicada a partir do momento da decisão ou de forma retroativa. Neste último cenário, existe a possibilidade de o City perder títulos conquistados anteriormente.

Eu esperaria que, caso haja uma perda de pontos, ela fosse aplicada daqui para frenteJames Hill - diretor jurídico especializado em questões regulatórias esportivas da Onside Law,

“De modo geral, os painéis não gostam de decidir títulos em um processo judicial. Fazer dessa maneira não proporciona uma punição realmente concreta ao clube", afirmou.

A regra W.51.7 também permite que o painel combine diferentes punições previstas no regulamento ou determine outras sanções consideradas apropriadas.

Qualquer penalidade, entretanto, precisará ser proporcional às violações consideradas comprovadas. Caso contrário, a decisão poderá ser contestada e eventualmente anulada em um recurso.

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