O caso envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o Banco Master ganhou novos contornos após a análise do colunista do UOL Josias de Souza. Em comentário publicado pelo Canal UOL nesta quinta-feira (25), o jornalista afirmou que a Polícia Federal já dispõe de elementos que, na avaliação dele, são suficientes para manter Wagner como investigado no inquérito que apura possíveis relações entre o parlamentar e integrantes do grupo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O conteúdo foi publicado pelo UOL sob o título “PF já tem elementos muito sólidos para manter Jaques Wagner como investigado”.
Na análise, Josias mencionou diferentes pontos já presentes na investigação, entre eles a apuração sobre um apartamento em Salvador avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões, além de registros relacionados a aeronaves, ingressos para shows e a relação de Wagner com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro. Documentos da investigação tornados públicos apontam que a PF apura possíveis vantagens econômicas indevidas e a relação do senador com os antigos controladores do Master.
Outro ponto destacado pelo colunista é a proximidade entre Wagner e Augusto Lima. Segundo relatório da PF divulgado após o levantamento do sigilo do inquérito, foram identificadas 74 ligações entre Wagner e Lima entre 2023 e 2025, além de outros contatos relacionados a pautas de interesse do banco. A investigação também analisa a atuação parlamentar de Wagner em temas que poderiam beneficiar o Master.
Josias também fez referência às informações recentes relacionadas a uma possível delação de Daniel Vorcaro, que teria apresentado acusações envolvendo pagamentos mensais ao grupo político ligado a Wagner. Essa alegação, porém, não está comprovada, e o próprio colunista ressaltou durante o comentário que não se deve tratar a acusação como fato comprovado. A existência da investigação e dos elementos já reunidos pela PF é uma questão distinta da comprovação definitiva de eventual crime.
O relatório policial também cita a negociação de um apartamento de luxo em Salvador. Segundo a PF, Augusto Lima teria adquirido o imóvel, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, após tratativas relacionadas ao senador. Wagner apresentou uma explicação para a operação, afirmando que o imóvel seria destinado à filha e que posteriormente ele faria o pagamento correspondente. A investigação busca esclarecer a natureza e a finalidade dessa negociação.
O senador não foi condenado nem denunciado, e a investigação ainda está em andamento. Wagner nega irregularidades e já declarou que pretende demonstrar sua inocência. O relatório da PF representa a perspectiva dos investigadores e ainda está sujeito à análise das instâncias responsáveis pelo caso.
Para Josias de Souza, entretanto, o conjunto de informações já divulgado é suficiente para sustentar a continuidade da investigação sobre o senador. A avaliação ocorre em um momento de novas revelações no caso Master e amplia a pressão política sobre Wagner, que deixou a liderança do governo no Senado após se tornar alvo da operação.