O prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), foi pressionado durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (28), durante o desfile pelos 268 anos de emancipação política do município, a explicar se aplica ao senador Jaques Wagner (PT), seu aliado político, a mesma cobrança que fez publicamente contra ACM Neto (União Brasil).
A pergunta surgiu após Caetano afirmar que ACM Neto deveria pensar em renunciar à candidatura para “dar satisfação à sociedade” diante das acusações relacionadas ao Banco Master. O repórter questionou se o prefeito adotava a mesma posição em relação a Wagner, que é alvo de investigação da Polícia Federal no caso Master.
A pressão ganhou força após o UOL revelar, na última sexta-feira (25), que uma proposta de colaboração premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro acusou o grupo político de Wagner de receber R$ 3 milhões mensais em supostos pagamentos ilícitos. A proposta, porém, foi rejeitada pela PF e pela PGR por falta de elementos de corroboração suficientes, e as acusações são negadas pelas defesas.
Em vez de responder se Wagner deveria renunciar ou se afastar da disputa, Caetano desviou o foco para ACM Neto. O prefeito afirmou que seriam “muito diferentes” as histórias dos dois políticos e passou a citar obras e ações atribuídas a Wagner, além de repetir críticas ao adversário.
“E o Wagner também tem que explicar?”, insistiu o repórter. Caetano novamente não respondeu diretamente. Em seguida, voltou a falar sobre ACM Neto e afirmou que o adversário estaria “se acabando politicamente”, acrescentando que seu grupo pretende derrotá-lo e também Jair Bolsonaro no primeiro turno.
A cobrança ocorre em um momento em que Wagner aparece formalmente no radar da investigação do Banco Master. O senador foi alvo de busca e apreensão em junho, e a PF investiga suspeitas relacionadas a vantagens indevidas, incluindo um pagamento de R$ 3,5 milhões identificado no núcleo familiar do parlamentar, além de apurações sobre sua atuação em pautas de interesse do banco. Wagner nega irregularidades.