A regulação da saúde virou munição eleitoral em Camaçari, e a secretária municipal da Saúde, Rosângela Almeida, decidiu responder às críticas durante entrevista ao Mais Região, nesta segunda-feira (28), durante o desfile pelos 268 anos de emancipação política do município. Questionada sobre os ataques à regulação do Estado, a gestora defendeu os investimentos realizados, mas reconheceu que o sistema ainda enfrenta desafios.
Rosângela afirmou que não é possível analisar a saúde pública apenas pelo número de pacientes que aguardam atendimento ou transferência. Para ela, é preciso considerar o tamanho da demanda sobre o SUS e o envelhecimento da população. “A gente sabe que a gente tem desafios”, admitiu a secretária, antes de defender que a estrutura vem sendo ampliada para tentar dar conta da procura.
Um dos principais argumentos apresentados pela secretária foi a expansão da estrutura hospitalar. Segundo Rosângela, o Hospital Geral de Camaçari (HGC) terá mais 20 leitos de UTI. O projeto de ampliação prevê dez leitos adultos e dez pediátricos e já teve contratação para execução das obras.
O anúncio ganha peso justamente porque a regulação é um dos pontos mais sensíveis da saúde pública. Dados atuais do CNES mostram que o HGC possui 199 leitos cadastrados e 19 leitos de UTI, dos quais oito aparecem como SUS na base consultada, o que ajuda a dimensionar o impacto potencial da ampliação anunciada.
Rosângela também tentou deslocar o foco da discussão: para ela, a fila da regulação começa antes de chegar ao hospital. A secretária afirmou que a Prefeitura reformou 20 unidades em menos de dois anos, além de citar novas UBS e a UPA de Abrantes. Segundo ela, fortalecer a atenção primária pode evitar que pacientes cheguem aos hospitais já necessitando de procedimentos de maior complexidade.
A resposta ocorre em meio à ofensiva de adversários do governo contra o funcionamento da regulação estadual. Em vez de negar a existência do problema, a secretária adotou outro discurso: há dificuldades, mas, segundo ela, também há uma expansão da estrutura para enfrentá-las. “A gente não pode menosprezar os números positivos da regulação”, afirmou.
O embate promete continuar durante a campanha. De um lado, a oposição usa a regulação como símbolo dos problemas enfrentados por quem precisa do SUS; do outro, o governo apresenta novos hospitais, leitos e unidades como resposta aos gargalos. Em Camaçari, a discussão deixou de ser apenas técnica e entrou definitivamente no palanque eleitoral.