O jovem Luan Souza Santos, de 21 anos, segue aguardando uma vaga na Central Estadual de Regulação após sofrer um grave acidente envolvendo uma motocicleta e um carro, em Mata de São João. O caso ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (29), após exames confirmarem uma fratura cominutiva da segunda vértebra cervical (C2).
De acordo com o relatório médico encaminhado à Central Estadual de Regulação, Luan foi levado pelo SAMU ao Hospital Municipal de Mata de São João após o acidente, apresentando dor intensa nas regiões cervical e lombar. O documento registra ainda que, no momento do trauma, o jovem relatou ter perdido a movimentação dos membros superiores e inferiores, recuperando os movimentos posteriormente.
A tomografia da coluna cervical identificou uma fratura cominutiva de C2, envolvendo a base do processo odontoide e a parte superior do corpo do áxis, com discreto desalinhamento dos fragmentos. O laudo aponta características compatíveis com fratura do tipo III de Anderson e D’Alonzo.
Diante do quadro, a unidade solicitou à Central Estadual de Regulação uma avaliação neurocirúrgica. A justificativa registrada no próprio pedido é direta: “Unidade sem suporte”. O paciente permanece com colar cervical e, apesar de estar lúcido, orientado e sem déficit neurológico focal no momento da avaliação, necessita da avaliação especializada solicitada.
O caso também chama atenção para uma situação mais ampla enfrentada no Hospital Municipal de Mata de São João. Segundo informações obtidas pelo Mais Região, a unidade possui atualmente pelo menos oito pacientes aguardando regulação para a rede estadual. Entre eles, estariam dois idosos que já aguardam há oito dias por uma vaga, cenário que volta a colocar em discussão a demora para transferência de pacientes que necessitam de atendimento especializado.
Enquanto aguarda uma definição da regulação, Luan permanece no hospital municipal. O pedido de transferência foi aberto às 18h35 desta terça-feira (29) e consta no sistema da Central Estadual de Regulação como solicitação para avaliação neurocirúrgica.
A situação expõe novamente a pressão sobre o sistema estadual de regulação na Bahia, especialmente para pacientes que precisam ser transferidos de unidades municipais para hospitais com estrutura especializada. O Mais Região acompanha o caso e buscará informações sobre a previsão de transferência do jovem e sobre a situação dos demais pacientes que aguardam regulação em Mata de São João.