A Bahia e os baianos são conhecidos no Brasil e no mundo por estarem sempre de braços abertos para a chegada de novas pessoas. Se a receptividade é uma característica forte da nossa terra, na prova de natação mais importante do estado não seria diferente.
A Travessia Mar Grande–Salvador acontecerá no dia 29 de novembro e, além de reunir alguns dos melhores nadadores da Bahia, receberá atletas de diversas partes do Brasil.
Após um período sem ser realizada, a competição retornou em 2023 e rapidamente voltou a ocupar seu lugar de destaque no calendário nacional, atraindo atletas experientes e apaixonados pela natação em mar aberto.
Desde o retorno da Travessia, esta é a edição com a maior variedade de estados representados. Neste ano, a prova terá competidores do Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Sergipe, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Amapá e de diversas cidades da Bahia.
Um desses representantes de fora é Luis Felipe Lebeis, de 42 anos. Vindo do Rio de Janeiro, ele possui um currículo extenso e vitorioso. Felipe é pentacampeão da Ultramaratona 14 Bis e da Ultramaratona de Itapanhaú.
Além disso, venceu quatro vezes o Super Challenge e o Desafio Rei e Rainha do Mar, além de ter conquistado títulos em diversos circuitos XTerra e Aloha Spirit. Cotado como um dos favoritos da prova, Lebeis reconhece sua qualidade, mas prefere tirar o peso da busca pelo título.
"Quero acima de tudo me divertir na prova e poder dar o meu máximo. Fazendo o que eu sei, tenho certeza de que conseguirei um bom resultado", afirmou.
Para conseguir uma boa colocação, a experiência pode ajudar. Esta será a terceira vez que o nadador disputa a Travessia.
"Já disputei a Mar Grande duas vezes e as duas foram completamente diferentes em questões de correntes. Foi uma experiência única e desafiadora. Os atletas que participam são de altíssimo nível, o que engrandece ainda mais a prova", disse.
Outro nadador experiente que vem de longe para participar é Rubens Vaz Ianelli. Diretamente de São Paulo, o nadador de 73 anos fará sua estreia na Baía de Todos-os-Santos, depois de nadar outras maratonas pelo Brasil.
"Minha primeira prova em mar aberto foi a Travessia dos Fortes, em 2003. Fiz três edições da 14 Bis (24 km), sendo campeão da categoria nas três provas, e recebi duas vezes o Troféu Herói da Resistência por ser o nadador mais velho a completar a disputa", contou.
Mesmo com tanto tempo dedicado à natação, Rubens não esconde a empolgação para encarar o desafio.
"Minhas expectativas são as melhores. Sei que é uma prova para nadadores experientes e preparados. Vai ser preciso estar pronto para qualquer adversidade", afirmou.
Entretanto, não serão apenas os homens a viajar para fazer a Travessia. Elizabeth Sicuro, de 68 anos, é natural de Curitiba, mas vive em Santa Catarina. Em sua segunda participação na prova, ela demonstra respeito pelo percurso.
"Não é uma prova fácil devido às correntes, mudanças climáticas, maré e ondulação", alertou. Vindo de uma região com clima bastante diferente do de Salvador, Elizabeth sabe que a adaptação será importante.
"Os extremos climáticos exigem maiores cuidados, como chegar alguns dias antes da prova, estar bem hidratada durante a semana que antecede o desafio e ter atenção à ingestão de eletrólitos, água e carboidratos durante o percurso", explicou.
O bom preparo e a vontade de superação certamente serão fundamentais para todos os competidores. Afinal, a Travessia Mar Grande–Salvador reúne pessoas de diferentes estados, histórias e realidades, mas com um destino em comum: cruzar a Baía de Todos-os-Santos e alcançar o Porto da Barra.
É justamente essa mistura de tradição, desafio e encontro entre brasileiros que faz da prova um dos eventos mais especiais da natação nacional.