Lideranças do PT apontam o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, como o principal responsável pela derrota do presidente Lula no primeiro turno. Nos bastidores, o partido cobra uma guinada na campanha nas próximas três semanas. A informação é do blog do Caio Junqueira, no portal da CNN Brasil.
Segundo três petistas ouvidos pela CNN, a campanha foi conduzida no improviso. Na avaliação deles, o debate ficou boa parte do tempo distante da realidade das ruas, com temas como soberania e terras raras no lugar do custo de vida. Também houve disputas internas que vazaram, sempre sob a ótica do ministro.
Disputa por Bets
Um dos exemplos citados é a discussão interna sobre as bets. Sidônio defendia o fim total das apostas, enquanto o presidente do PT, Edinho Silva, preferia uma saída gradual, via Congresso. A proibição prevaleceu, mas a notícia de que Lula havia acabado com as bets dividiu espaço com a de que Sidônio havia vencido Edinho.
Uma ala do partido avalia ainda que a estratégia nunca foi bem definida. Para esse grupo, a campanha apostou demais na máquina do Estado e em um pacote de bondades, sem medir o efeito eleitoral. Medidas como o reajuste do Bolsa Família, o fim das bets e a renegociação de dívidas não tiveram o impacto esperado.
Custo de vida
Petistas também avaliam que Sidônio não conseguiu rebater o principal discurso de Flávio Bolsonaro (PL): o custo de vida, simbolizado pelo carrinho de supermercado que não se consegue encher por causa dos preços.
Para eles, o governo tem bons indicadores de inflação, desemprego e crescimento, que deveriam ter sido mais explorados. A percepção de piora da economia, dizem, deveria ter sido explicada por fatores externos, como o conflito no Oriente Médio, que pressionou os combustíveis, e os fenômenos climáticos, que encareceram os alimentos.
Desaprovação
Outra crítica é que Sidônio chegou ao período eleitoral sem reduzir a desaprovação do governo, hoje na casa de 50%. Segundo esses petistas, ele foi o único responsável pela comunicação de um presidente candidato à reeleição a não melhorar esse índice. Os outros casos citados são Fernando Henrique Cardoso, em 1998, o próprio Lula, em 2006, Dilma Rousseff, em 2014, e Jair Bolsonaro, em 2022, que reduziu a taxa em 15 pontos durante a campanha.
Próximos Passos
O PT se reúne nesta segunda-feira (5) para planejar a campanha do segundo turno. Uma das possibilidades é Lula se licenciar para se dedicar só à campanha. Outra é reforçar as fragilidades de Flávio Bolsonaro, em especial a relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O partido também quer construir um discurso voltado a quem se absteve no primeiro turno, para levar esse eleitor às urnas. Apesar da dificuldade, a aposta é que ainda é possível vencer se a campanha for bem estruturada a partir de agora.
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