O artista plástico Juarez Machado morreu nesta terça-feira (6), aos 85 anos, em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro. Nascido em Joinville, no Norte de Santa Catarina, ele construiu uma carreira de mais de seis décadas, com atuação em diferentes linguagens artísticas e reconhecimento no Brasil e no exterior. A morte foi comunicada pelo Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM), que preserva e difunde a obra do artista. A causa da morte não foi informada pelo instituto.
Juarez Machado começou a pintar em 1960 e realizou a primeira exposição individual em 1964. Aos 18 anos, deixou Joinville para estudar em Curitiba, onde frequentou a Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Na década de 1960, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde participou do cenário artístico e trabalhou como chargista e cartunista em importantes jornais brasileiros, entre eles o Jornal do Brasil.
Ao longo da trajetória, Machado atuou como pintor, desenhista, escultor, caricaturista, ilustrador, cartunista, chargista, cenógrafo e figurinista. Sua produção ficou marcada por personagens, cenas do cotidiano, humor, boemia, cores vibrantes e uma identidade visual própria. O artista também realizou trabalhos para teatro, televisão e música, além de projetos como capas de discos, cartazes e figurinos.
Machado também foi pioneiro do desenho de humor na televisão brasileira. Na década de 1970, ganhou projeção nacional com um quadro no programa Fantástico, da Rede Globo, no qual atuava como mímico e interagia com os próprios desenhos. A participação contribuiu para ampliar o alcance de seu trabalho para além das artes plásticas.
Nos anos 1980, o artista se mudou para Paris, na França, onde manteve um ateliê no bairro de Montmartre. A permanência na Europa consolidou sua carreira internacional, com exposições e trabalhos apresentados em diferentes países. Segundo informações divulgadas após sua morte, ele enfrentava problemas de saúde nos últimos anos e havia retornado ao Brasil depois de décadas vivendo em Paris.
Em Joinville, uma de suas obras de maior destaque é o mural cerâmico “O Grande Circo”, instalado na entrada do Centreventos Cau Hansen. A obra foi apresentada com a inauguração do espaço, em 1998, e se tornou uma das referências visuais do prédio, que posteriormente passou a integrar os principais pontos turísticos da cidade.
Em 2014, Machado inaugurou em sua cidade natal o Instituto Internacional Juarez Machado, instituição sem fins lucrativos voltada à preservação e à difusão da arte e do legado do artista, além da promoção de atividades culturais no Norte de Santa Catarina. O espaço funciona no antigo endereço da casa dos pais de Machado e também recebe iniciativas relacionadas a outros artistas.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira, o Instituto Internacional Juarez Machado destacou que o artista construiu uma trajetória reconhecida no Brasil e no exterior, marcada pela sensibilidade, pelo humor e pelo olhar sobre o cotidiano. A instituição informou ainda que detalhes sobre a despedida e eventuais homenagens serão divulgados posteriormente por seus canais oficiais.
Juarez Machado deixa uma obra construída em mais de 60 anos de atividade e uma trajetória que levou o nome de Joinville a diferentes públicos no Brasil e no exterior. Sua produção, que transitou entre pintura, desenho, escultura, ilustração, humor e outras linguagens, consolidou o artista entre os nomes de destaque da arte brasileira.
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