A oposição baiana articula a realização de um ato de campanha em Salvador para o segundo turno da eleição presidencial, após a formalização do apoio do União Brasil e do Progressistas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A movimentação foi consolidada após articulações em Brasília envolvendo as cúpulas das duas legendas e o vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto.
O ex-prefeito de Salvador já havia sinalizado a tendência de posicionamento de seu grupo político antes da definição oficial. Em declaração sobre as articulações, Neto afirmou que iria a Brasília para discutir com o partido a posição no segundo turno e antecipou que, na avaliação dele, uma mudança na Bahia dependeria primeiro de uma mudança no governo federal.
As discussões sobre a campanha presidencial no estado também incluíram a possibilidade de realização de um ato em Salvador com a participação de lideranças da oposição baiana. Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, a intenção é realizar o evento o quanto antes, considerando o prazo reduzido até a votação do segundo turno, marcada para 25 de outubro.
Durante o primeiro turno, Flávio Bolsonaro esteve na Bahia apenas uma vez, em Vitória da Conquista. Na ocasião, ACM Neto não acompanhou a agenda do candidato. A eventual realização de um ato em Salvador representaria uma aproximação pública entre o candidato do PL e integrantes da oposição baiana.
Outro ponto discutido nas articulações é a possibilidade de ACM Neto ocupar espaço em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O movimento também representa uma mudança no posicionamento adotado pelo ex-prefeito de Salvador durante o primeiro turno. Na primeira etapa da eleição presidencial, Neto apoiou a candidatura de Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, que posteriormente declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.
A aliança entre União Brasil e Progressistas foi formalizada após o encerramento da apuração do primeiro turno, realizado no domingo (4). Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa na liderança, com 56.104.268 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ficou em segundo lugar, com 53.876.617 votos, correspondentes a 45,16% dos votos válidos.
Ronaldo Caiado não ficou entre os principais candidatos na votação nacional. O ex-governador de Goiás recebeu cerca de 2,68 milhões de votos e terminou na quinta colocação, com 2,18% dos votos válidos. Após o resultado, Caiado declarou apoio a Flávio Bolsonaro para o segundo turno.
A força das legendas que passaram a apoiar o candidato do PL também é considerada nas articulações para a segunda etapa da eleição. O Partido Liberal elegeu 121 deputados federais e 28 senadores. União Brasil e Progressistas, integrantes da mesma federação, somam 11 senadores e 87 deputados federais, de acordo com os resultados das eleições de 2026.
A adesão dos partidos amplia o bloco político que passa a atuar em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro e pode ter reflexos nas articulações do Congresso Nacional. Na Bahia, o movimento também envolve a reorganização das forças de oposição para a campanha do segundo turno e a possibilidade de uma participação mais ativa de ACM Neto na disputa presidencial.
Com a votação decisiva marcada para 25 de outubro, a eventual agenda de Flávio Bolsonaro em Salvador deve concentrar parte das articulações da oposição baiana na reta final da campanha. O primeiro turno terminou com uma diferença de 2.227.651 votos entre Flávio e Lula, e os dois candidatos agora disputam os votos dos eleitores que não escolheram nenhum dos dois na primeira etapa.
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