Esporte Futebol
Coreia revê regra que quase paralisou carreira de craques da Seleção
País obriga todos os homens a participarem de serviço militar, com certas exceções
07/10/2026 10h39
Por: Redação Fonte: A Tarde
Reprodução / Jung Yeon-Je | AFP

Son Heung-min, maior jogador da história da Coreia do Sul, quase teve sua carreira interrompida por dois anos por conta de uma determinação do governo. Isso porque os homens do país precisam servir às forças armadas por um período de 18 a 21 meses antes dos 28 anos. A exceção só cabe a cidadãos com feitos notáveis nas artes e no esporte.

Para a sorte de Son e dos fãs de futebol, o craque e sua geração conseguiram escapar dessa determinação por conta da conquista da medalha de ouro nos Jogos Asiáticos de 2018, considerada pelo governo como um condicionante para que os atletas não precisem ir para o serviço militar.

Assim como acontece nas Olimpíadas, a competição é voltada para jogadores sub-23, mas cada seleção pode inscrever três jogadores que já passaram desse limite de idade – Son entrou nessa cota na competição em 2018.

Regra pode ficar ainda mais dura

A Coreia do Sul venceu as últimas quatro edições dos Jogos Asiáticos, de 2014 até agora em 2026, de forma que todos os jogadores que participaram das conquistas foram isentos do serviço militar obrigatório.

O último título foi confirmado na última sexta-feira, 2 de outubro, após uma vitória por 1 a 0 sobre o Japão. No entanto, o que chamou a atenção no país foi a comemoração dos jogadores, considerada excessiva por parte da população.

Entre as reações que desagradaram torcedores está a de Gi-hyuk Lee, zagueiro de 26 anos do Gangwon FC-COR. O atleta celebrou de forma explícita a dispensa do serviço militar obrigatório. Posteriormente, em entrevista, pediu desculpas a todos “que estão cumprindo seu serviço militar e a todos que torceram pela equipe”.

Em meio a isso, o ministro do esporte da Coreia do Sul, Hwi-young Choi, prometeu rever o sistema que garante a dispensa do serviço aos atletas. Ele reconheceu que a atitude dos atletas foi inadequada, mas defendeu a garantia aos atletas. O ministro, no entanto, admitiu a possibilidade de uma possível redução no benefício.

“É verdade que o sistema já contribuiu para que artistas e atletas de destaque pudessem desenvolver suas habilidades. Ainda assim, os valores de justiça e da percepção pública do serviço militar mudaram. Eu concordo que o sistema seja reavaliado de forma compreensiva novamente“, disse o ministro.

Além disso, o deputado Kye-won Cho apontou que o sistema favorece atletas de esportes como o futebol e o beisebol, e afirmou que outras modalidades possuem mundiais mais competitivos que os Jogos Asiáticos, mas não garantem a dispensa.