Geral Caso de 2018
Justiça adia júri de mulher acusada de envenenar mãe e duas filhas em Maragogipe
Acusada está internada no Hospital Aristides Maltez, em Salvador; sessão foi remarcada para 2 de dezembro, no Fórum Ruy Barbosa
07/10/2026 19h55
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução

O julgamento de Elisângela Almeida de Oliveira, acusada de envenenar e matar Adriane Ribeiro Santos, de 23 anos, e as duas filhas dela, em Maragogipe, no Recôncavo baiano, foi adiado nesta quarta-feira (7). A sessão do Tribunal do Júri, que estava marcada para ocorrer em Salvador, não foi realizada devido à impossibilidade de comparecimento da acusada, que está internada no Hospital Aristides Maltez. Uma nova data foi marcada para 2 de dezembro, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, na capital baiana.

Elisângela é acusada de envolvimento nas mortes de Adriane Ribeiro Santos e das filhas Greisse Santos da Conceição, de 5 anos, e Ruteh Santos da Conceição, de 2 anos. Os casos ocorreram entre o fim de julho e agosto de 2018. As três mortes aconteceram em um intervalo de 15 dias e envolveram envenenamento com um inseticida de uso agrícola. O cachorro da família também morreu após ser envenenado.

Segundo as investigações, Elisângela teria passado a demonstrar interesse por Jefferson Eduardo Brandão, marido de Adriane e pai das crianças, o que teria provocado um desentendimento entre as duas. A suspeita teria misturado o inseticida aos alimentos oferecidos às vítimas. Adriane e Elisângela haviam se aproximado por meio da igreja frequentada pelas famílias.

A sequência de mortes começou em 30 de julho de 2018, quando uma das meninas passou mal repentinamente e foi levada para um hospital em São Félix. Segundo o histórico reunido pelo Correio, a criança apresentava intensa salivação e hiperglicemia e morreu poucas horas depois. Como os exames iniciais não identificaram sinais claros de violência, o caso chegou a ser tratado como morte natural.

Em 6 de agosto, Ruteh também passou mal e foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Maragogipe. Ela chegou desacordada à unidade e morreu no mesmo dia. Uma semana depois, em 13 de agosto, Adriane apresentou sintomas semelhantes, com excesso de secreção pela boca, suor intenso e mal-estar súbito. A marisqueira foi socorrida para a mesma UPA, mas não resistiu.

Diante da repetição dos quadros, as circunstâncias das mortes passaram a ser investigadas. Em setembro de 2018, após autorização judicial, os restos mortais das duas crianças foram retirados dos túmulos para análises complementares. Depoimentos reunidos durante a apuração apontaram que Elisângela teria participado do preparo ou da entrega de alimentos consumidos pelas vítimas antes dos episódios fatais.

Elisângela foi presa em outubro de 2018 e encaminhada ao Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. O companheiro dela, Valci Boaventura Soares, também chegou a ser detido. Com o avanço das investigações, porém, não foram reunidos elementos suficientes para sustentar uma acusação criminal contra ele, que acabou sendo solto.

Em abril de 2024, Elisângela recebeu liberdade provisória em razão de problemas de saúde. Na época, apresentava quadro relacionado à bexiga neurogênica e fazia uso de sonda, além de já ter passado por internações devido ao agravamento de sua condição. A Justiça concedeu a medida domiciliar diante da necessidade de tratamento médico.

O caso chega ao novo julgamento quase oito anos após as mortes. A nova previsão é de que o processo seja analisado pelo Tribunal do Júri em 2 de dezembro, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.