A declaração da deputada federal reeleita Ivoneide Caetano (PT) sobre o futuro da BYD em Camaçari ganhou repercussão nas redes sociais nesta quarta-feira (7). Durante uma coletiva de imprensa realizada em Salvador, pela manhã, a parlamentar afirmou que a montadora chinesa teria solicitado uma reunião com o prefeito Luiz Caetano e com ela própria por estar preocupada com uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial.
“A BYD já pediu uma reunião com o Caetano, e comigo, já estão preocupados, porque caso esse filho do ex-presidente [Jair Bolsonaro] ganhe a eleição, nós vamos ter problemas aqui com a BYD”, declarou Ivoneide. Na sequência, a deputada chegou a afirmar que a empresa poderia deixar Camaçari, fazendo uma comparação com a saída da Ford do município.
A fala provocou questionamentos sobre a existência da suposta reunião e sobre os planos da montadora para a unidade instalada no antigo complexo da Ford. Diante da repercussão, o Mais Região procurou a BYD para confirmar se houve solicitação de encontro com autoridades para discutir o cenário eleitoral.
Em resposta ao portal, a BYD negou categoricamente a informação. “A BYD esclarece que não solicitou qualquer reunião com autoridades, de nenhuma esfera, para tratar do cenário eleitoral ou de seus possíveis desdobramentos”, afirmou a empresa.
A montadora também reforçou que mantém seus planos de longo prazo no país. Segundo a companhia, o planejamento segue voltado à expansão das operações, geração de empregos e desenvolvimento da Bahia e do Brasil, sem mencionar qualquer possibilidade de saída de Camaçari. Nota - Eleições
A manifestação oficial da BYD, portanto, contradiz diretamente a informação apresentada pela deputada, especialmente quanto à existência de uma reunião solicitada pela empresa para tratar das eleições e de seus possíveis impactos sobre a operação em Camaçari.
Saída Ford de Camaçari
A saída da Ford de Camaçari, em janeiro de 2021, ocorreu no contexto de uma reestruturação global da montadora, após anos de prejuízos e queda nas vendas na América do Sul, além de capacidade ociosa e dos impactos provocados pela pandemia de Covid-19. A empresa decidiu encerrar a produção de veículos no Brasil e adotar uma estratégia baseada principalmente na importação de modelos produzidos em outros países da região. Portanto, a decisão não foi apresentada pela Ford como consequência de uma eventual retirada ou redução de incentivos fiscais, mas como parte de uma mudança estratégica para tornar a operação mais enxuta e sustentável. A empresa, inclusive, manteve em Camaçari seu Centro de Desenvolvimento de Produto.
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