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Quando um filho vai embora

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08/10/2026 14h43
Por: Keila Abreu Fonte: Fred Tognin
Ilustrativa
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Há uma hora em que os filhos precisam ir embora. É natural. É parte da vida.

Criamos filhos para que um dia possam caminhar com as próprias pernas, fazer suas escolhas e construir suas histórias.

Oh! Existe uma diferença enorme entre um filho sair de casa porque cresceu e um filho partir levando consigo os laços construídos, como se toda aquela história simplesmente não tivesse importância.

Essa partida dói de outro jeito porque não é apenas a ausência de alguém à mesa, no quarto ou na rotina. É a sensação de que uma história que construímos juntos deixou de significar a mesma coisa para os dois lados.

Pais também podem ser feridos pelos filhos.

E talvez seja difícil dizer isso em voz alta, porque existe uma expectativa de que pai e mãe devam compreender tudo, perdoar tudo e estar sempre esperando de braços abertos.

Amar um filho não significa aceitar qualquer condição para mantê-lo por perto. Não significa aceitar desrespeito. Não significa permitir que alguém destrua nossa paz em nome do vínculo familiar. Porque amor sem limite pode se transformar em sofrimento.

Às vezes, amar é justamente compreender que o filho precisa seguir seu caminho, mesmo que esse caminho nos machuque.

E, SE um dia a vida fizer esse filho voltar, talvez o amor ainda esteja lá, mas a relação não precisa voltar a ser exatamente como era. Afinal, quem ficou também mudou.

Há feridas que precisam ser reconhecidas. Há limites que precisam existir. Há uma história que não pode ser simplesmente apagada em nome da saudade. E isso não é deixar de amar.

É entender que amor também precisa caminhar ao lado do RESPEITO.

Talvez essa seja uma das partes mais difíceis da parentalidade: aceitar que podemos amar profundamente alguém que escolheu se afastar de nós, sem permitir que esse afastamento nos destrua.

Filhos crescem. Filhos partem. Alguns voltam. Outros não.

Os pais também precisam continuar a própria caminhada. Porque amar um filho para sempre não significa deixar de cuidar de si mesmo.

E talvez seja essa a grande lição:

PODEMOS DEIXAR A PORTA ABERTA SEM PERMITIR QUE ALGUÉM ENTRE POR ELA PARA NOS MACHUCAR NOVAMENTE.

Amor é vínculo e respeito é limite.

E ninguém, absolutamente ninguém, deve aceitar ser maltratado em nome do amor.

Talvez seja justamente aqui que esta nossa conversa se encontre com a próxima fase desta coluna.

Quando um filho cresce e vai embora, percebemos que nossa maior responsabilidade nunca foi apenas cuidar dele enquanto esteve perto. Foi também prepará-lo para aquilo que viria depois de nós.

No fundo, parentalidade também é isso: pensar no que estamos deixando.

E foi essa ideia de legado que me fez escolher o próximo tema da nossa coluna.

A partir do próximo mês, o Mais Região vai abrir espaço para uma nova conversa: SUSTENTABILIDADE.

Vamos falar sobre o planeta que estamos deixando para os nossos filhos, para os nossos netos e para aqueles que ainda nem nasceram.

Sobre pequenas atitudes que podemos tomar todos os dias para consumir melhor, desperdiçar menos, reaproveitar mais e agir de maneira ecologicamente responsável.

Porque existe uma pergunta que vale tanto para a parentalidade quanto para o meio ambiente:

O QUE ESTAMOS DEIXANDO PARA QUEM VEM DEPOIS DE NÓS?

Talvez cuidar seja, no fim das contas, exatamente isso. Cuidar de quem amamos. Cuidar de nós mesmos. E cuidar do mundo que permanecerá quando nós já não estivermos aqui.

Até o próximo mês!

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Fred Rios Tognin
Sobre Fred Rios Tognin
Fred Rios Tognin, é pesquisador e apaixonado por sustentabilidade e inovação. Atua conectando gestão, responsabilidade socioambiental e transformação. Escreve uma vez por mês sobre sociedade, sustentabilidade e as coisas que realmente importam.