Geral Escândalo político
Vorcaro diz ter pago R$ 30 milhões por filme sobre Lula em meio a negociações com o governo, revela VEJA
Em áudios e documentos obtidos pela revista, ex-dono do Banco Master relata repasses ligados a um documentário sobre o presidente e suposto esquema para abrir portas em fundos de pensão federais. Acusações ainda precisam ser apuradas.
09/10/2026 09h46 Atualizada há 1 hora atrás
Por: Gabriel Seixas Fonte: Mais Região
Reprodução

Uma nova revelação envolvendo o Banco Master promete incendiar o debate político nacional. Em reportagem publicada nesta sexta-feira (9), a revista VEJA afirma que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou ter liberado R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de mencionar outros repasses ao Instituto Lula. Segundo a publicação, os pagamentos teriam ocorrido em meio a negociações para ampliar os negócios da instituição financeira junto a fundos de pensão ligados ao setor público.

De acordo com a reportagem assinada por Robson Bonin, os relatos constam em áudios e documentos obtidos pela revista. Vorcaro teria apontado o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto como responsável por exigir uma comissão de 10% sobre operações destinadas à captação de recursos de fundos de previdência. Caso o plano avançasse, segundo os números apresentados pelo banqueiro, os pagamentos poderiam chegar a R$ 1 bilhão, enquanto o Banco Master teria a perspectiva de movimentar R$ 9 bilhões.

O documentário citado é o filme Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Em um dos áudios divulgados pela VEJA, Vorcaro compara o financiamento da produção com o dinheiro destinado ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e afirma que, no caso do documentário sobre Lula, os recursos teriam sido repassados “por fora”. A declaração, se confirmada e contextualizada pelas investigações, pode levantar questionamentos sobre a origem, a finalidade e a regularidade dos valores envolvidos.

A reportagem também cita o ministro Alexandre Padilha, além de Olavo Noleto, então secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, e operadores que, segundo os relatos atribuídos a Vorcaro, teriam participado das articulações. O material descreve encontros, conversas e tratativas para aproximar o banqueiro de dirigentes de fundos de pensão e de integrantes do governo federal.

Ainda conforme a publicação, o Banco Master teria conseguido avançar no credenciamento para operar com fundos de previdência em abril de 2024, mas as tentativas de captar recursos federais não teriam alcançado o resultado esperado. Vorcaro também teria relatado pagamentos a operadores ligados às negociações e demonstrado insatisfação com a falta de conclusão dos negócios.

O caso ganha peso político porque envolve recursos milionários, um filme sobre o presidente da República e alegações de contrapartidas relacionadas a oportunidades de negócios com estruturas financeiras ligadas ao poder público. Ao mesmo tempo, é fundamental distinguir os relatos atribuídos ao ex-banqueiro de fatos já comprovados: as declarações divulgadas pela revista, por si só, não estabelecem a responsabilidade criminal dos citados nem comprovam que todos os pagamentos e articulações ocorreram exatamente como descritos.

As revelações reforçam a necessidade de esclarecimentos sobre a relação entre interesses privados, financiamento de produções audiovisuais e acesso a estruturas de investimento vinculadas ao poder público. O caso deverá ser acompanhado à luz dos documentos, das manifestações dos envolvidos e do avanço das apurações. A reportagem original foi publicada pela revista VEJA nesta sexta-feira (9 de outubro de 2026).

 
 
 
 
 
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