Geral Escândalo político
Defesa de Vorcaro confirma áudio que cita dinheiro para filme sobre Lula
'A voz realmente é dele', diz o advogado criminalista Daniel Bialski 
09/10/2026 21h08
Por: Redação Fonte: Mais Região
Reprodução/Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, confirmou que a voz presente em um dos áudios divulgados pela revista VEJA pertence ao banqueiro. A declaração foi feita pelo advogado criminalista Daniel Bialski, que atua na defesa de Vorcaro nas investigações relacionadas ao caso Master. A gravação contém relatos atribuídos ao empresário sobre supostos pagamentos relacionados a um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Instituto Lula.

“A voz realmente é dele”, afirmou Bialski à VEJA. O advogado, entretanto, fez uma ressalva importante: disse não saber quando nem em quais circunstâncias o áudio foi gravado. Também destacou que somente o próprio Vorcaro poderá confirmar ou não o conteúdo das declarações.

A confirmação da identidade da voz acrescenta um novo elemento à controvérsia, mas não representa uma validação das acusações feitas na gravação. Na reportagem anterior, a VEJA atribuiu a Vorcaro relatos sobre um suposto repasse de R$ 30 milhões para financiar um documentário sobre Lula, além de pagamentos ao Instituto Lula, em meio a negociações envolvendo fundos de pensão federais.

O caso também envolve divergências sobre a origem e a formalização do material. A Polícia Federal afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito na reportagem nem entregou à instituição documentos ou informações com esse teor. A Procuradoria-Geral da República também informou que não houve depoimento oral do banqueiro no âmbito das tratativas de colaboração premiada.

A defesa de Vorcaro ainda não confirmou que os fatos relatados no áudio ocorreram da maneira descrita. Segundo Bialski, ele não era advogado do banqueiro na época das tratativas de colaboração e, por isso, desconhece o material mencionado.

A controvérsia coloca no centro do debate a necessidade de esclarecer a origem da gravação, o contexto em que foi produzida e a existência de elementos que possam comprovar os relatos. A confirmação da voz não comprova, por si só, os supostos pagamentos nem eventual prática de irregularidades.