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Ex-militar russo preso em Salvador queria montar rede de armas e drogas para facções no Brasil
Sergei Kotelnikov, de 29 anos, foi condenado à prisão perpétua na Rússia após ser flagrado com 600 kg de cocaína e documento falso. Procurado internacionalmente, ele foi localizado em Águas Claras e encaminhado à Polícia Federal para os procedimentos de extradição.
11/10/2026 12h03
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Alberto Maraux / SSP

O ex-militar russo Sergei Kotelnikov, de 29 anos, preso em Salvador no sábado (10), pretendia estruturar uma rede de distribuição de armas, munições e drogas no Brasil. Segundo informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), o estrangeiro buscava comercializar armamentos para facções criminosas brasileiras. Condenado à prisão perpétua na Rússia, ele foi localizado no bairro de Águas Claras, na capital baiana, durante uma fase da Operação Artemis.

A captura ocorreu após ações de inteligência realizadas pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) na Bahia, com apoio da Polícia Militar e em articulação com a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). Segundo as autoridades, Kotelnikov havia passado por outros estados brasileiros antes de chegar à Bahia, onde estava havia menos de um mês, conforme informações divulgadas sobre o caso.

A Polícia Federal informou que a prisão foi realizada em uma ação integrada da FICCO/BA com o Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar da Bahia (Bope) e o Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal na Bahia. As diligências começaram após a Interpol acionar a força-tarefa brasileira para informar que o russo poderia estar escondido no estado.

Durante as investigações, as equipes identificaram que Kotelnikov estava em uma área de forte influência de uma facção criminosa, situada entre os bairros de Cajazeiras e Águas Claras, em Salvador. A localização foi resultado de levantamentos de inteligência e pesquisas realizadas pelas equipes envolvidas na operação.

O secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, afirmou que as ações foram intensificadas após o alerta internacional sobre a possibilidade de o estrangeiro se esconder no estado. “Intensificamos as ações de inteligência, após a INTERPOL nos avisar sobre a possibilidade dele tentar se esconder na Bahia. Escolheu o local errado e acabou preso”, declarou.

Kotelnikov era procurado internacionalmente e estava incluído na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para solicitar a localização e a prisão provisória de pessoas procuradas pela Justiça de um país, com vistas à extradição ou à adoção de outros procedimentos legais. Segundo a SSP-BA, ele foi condenado à prisão perpétua na Rússia por tráfico de drogas e uso de documento falso, após ser flagrado com 600 kg de cocaína e um documento falsificado.

A Polícia Federal informou que havia um mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-militar, relacionado a condenações pelos crimes de tráfico de drogas e falsificação de documentos. A corporação também informou que ele estava foragido da Justiça brasileira.

Após a captura, o russo foi encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal na Bahia, em Salvador. Na unidade, foram adotadas as medidas iniciais relacionadas ao cumprimento da decisão judicial. As autoridades russas deverão ser comunicadas sobre a prisão para que sejam iniciados os procedimentos de extradição.

A Operação Artemis é uma iniciativa permanente da FICCO voltada à localização e à captura de pessoas procuradas pela Justiça, especialmente investigadas por crimes violentos e envolvimento com organizações criminosas. A força integrada reúne instituições federais e estaduais, entre elas a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, as polícias Militar e Civil da Bahia, a Polícia Penal, a Secretaria Nacional de Políticas Penais e a Secretaria da Segurança Pública do estado.

A investigação sobre os planos atribuídos a Kotelnikov deverá avançar a partir das informações reunidas pelas autoridades brasileiras e da comunicação com a Justiça russa. A prisão em Salvador interrompeu a tentativa de permanência do estrangeiro no país enquanto ele era procurado internacionalmente.