Geral Caso Léo Lanches
PM suspeita de matar comerciante tem liberdade concedida pela Justiça
Policial estava presa desde agosto e foi indiciada por homicídio; Justiça determinou medidas cautelares, incluindo o afastamento da função pública por 180 dias
13/10/2026 09h18
Por: Anderson Almeida Fonte: G1 Bahia
Reprodução / Redes Sociais

A soldado da Polícia Militar da Bahia Valdilene Nonato Santos França, suspeita de matar o comerciante Leonardo Gil Lima, conhecido como Léo Lanches, com um tiro na cabeça, em Salvador, teve a liberdade concedida pela Justiça no dia 2 de outubro. A informação foi divulgada pela Polícia Militar nesta segunda-feira (12). A policial estava presa desde 4 de agosto, quando foi encaminhada à Coordenação de Custódia Provisória da corporação.

Com a decisão judicial, a soldado deverá cumprir medidas cautelares, entre elas o afastamento da função pública por 180 dias e a proibição de manter contato com testemunhas e familiares da vítima. Ela também está impedida de acessar a localidade de Lessa Ribeiro, no bairro de São Cristóvão, onde o comerciante foi baleado.

O caso é investigado pela Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O inquérito, conduzido pela 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico), foi encaminhado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) em 29 de setembro, com o indiciamento da policial por homicídio. Paralelamente, a Polícia Militar informou que apura possíveis responsabilidades disciplinares dos agentes envolvidos na ocorrência.

Leonardo Gil Lima foi atingido por um disparo na Rua Lessa Ribeiro, em 23 de julho. Ele chegou a ser socorrido e levado para uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos. A soldado é suspeita de ter efetuado o tiro fatal, e a prisão ocorreu após a análise de imagens registradas pelas câmeras corporais utilizadas pelos policiais que participaram da ação.

Na versão apresentada pela Polícia Militar, equipes da 49ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) realizavam patrulhamento na região quando teriam sido recebidas a tiros por homens armados. Segundo a corporação, os agentes reagiram e, ao término da ocorrência, o comerciante foi encontrado baleado. Familiares e testemunhas, no entanto, contestaram essa versão e afirmaram que Leonardo havia acabado de chegar do trabalho quando foi atingido por uma policial em frente à própria residência, sem que houvesse confronto no local.

A morte provocou manifestações de familiares e moradores, que cobraram justiça. Durante os protestos, um ônibus foi incendiado e o transporte público chegou a ser suspenso no bairro. Após o episódio, a Polícia Militar informou que afastou os agentes envolvidos das atividades operacionais, instaurou um procedimento administrativo e encaminhou as imagens das câmeras corporais à Polícia Civil e à Corregedoria da corporação. Em nota, a PM declarou que mantém o compromisso com a apuração dos fatos e o cumprimento do devido processo legal.