O cantor Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. Um dos nomes marcantes do axé music, o artista enfrentava um linfoma, tipo de câncer que afeta o sistema linfático. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento.
Natural de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, Ernesto de Souza Andrade Júnior nasceu em 12 de julho de 1966 e se mudou com a família para Salvador aos 10 anos. O interesse pela música começou cedo: aos 14, ganhou o primeiro violão da mãe. Dois anos depois, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), conciliando os estudos com apresentações musicais.
A projeção nacional veio em 1988, quando Netinho assumiu os vocais da Banda Beijo e estreou no Carnaval de Salvador. Naquele mesmo ano, alcançou sucesso com “Beijo na Boca”, seguido por músicas como “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida É Festa”. Em 1993, iniciou a carreira solo e, três anos depois, lançou “Milla”, um dos maiores sucessos de sua trajetória e uma das canções mais emblemáticas do axé music. O cantor também realizou apresentações internacionais, incluindo shows na Itália e no Chile.
Além da carreira nos palcos, Netinho atuou como empresário do setor musical. Ele abriu um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, que recebeu artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz, e criou um selo para lançar novos talentos baianos. Entre 1997 e 2003, foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve uma filha, Bruna Trindade.
Em 2013, o cantor sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que provocaram problemas de saúde, entre eles a perda da voz. O período de recuperação o afastou do Carnaval de Salvador por quatro anos. Em 2022, candidatou-se a deputado federal pelo Partido Liberal (PL), recebeu cerca de 31 mil votos e ficou como suplente. Também declarou apoio ao então presidente Jair Bolsonaro, posicionamento que gerou críticas.
Netinho anunciou o diagnóstico de linfoma em março de 2025, após ser internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, com fortes dores nas pernas. Em 2026, a doença retornou de forma mais agressiva, e o cantor seguiu em tratamento médico. Nos últimos meses, afastou-se das redes sociais para se concentrar na recuperação. Mesmo diante do tratamento, planejava voltar aos palcos com o projeto “1966”, que pretendia unir sua trajetória musical a recursos de inteligência artificial. Sua última apresentação ocorreu em 25 de outubro de 2025, em Coronel Fabriciano, Minas Gerais.