Política em Foco Eleições 2026
Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 47% contra 45% de Lula no segundo turno
Senador oscilou dois pontos percentuais para baixo em uma semana, enquanto o presidente manteve o percentual; diferença está dentro da margem de erro de dois pontos
15/10/2026 21h19
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 47% das intenções de voto no segundo turno da eleição presidencial, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (15). A diferença de dois pontos percentuais configura empate técnico, considerando a margem de erro do levantamento, de dois pontos para mais ou para menos. Na apuração dos votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Flávio aparece com 51%, enquanto Lula registra 49%.

Na pesquisa anterior, divulgada na semana passada, Flávio tinha 49% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Naquele levantamento, o senador também liderava na simulação de votos válidos, com 52%, ante 48% do presidente. Os números indicam uma redução da vantagem do candidato do PL, que oscilou dois pontos percentuais para baixo, enquanto o petista manteve o mesmo percentual. Na pesquisa atual, 6% dos entrevistados afirmam que votarão em branco ou nulo, e 2% estão indecisos.

Segundo o Datafolha, 7% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar de voto. A diretora do instituto, Luciana Chong, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que o perfil desse eleitor, descrito como alguém que pode mudar de posição, é predominantemente de mulheres com até 24 anos, ensino médio e baixa renda.

Os resultados por segmentos do eleitorado mostram vantagens distintas entre os candidatos. No Sudeste, Flávio tem 51% das intenções de voto, contra 41% de Lula, resultado semelhante ao da rodada anterior. O senador também lidera entre os eleitores com renda de dois a cinco salários mínimos, com 55%, ante 40% do presidente. No Sul, a vantagem é de 57% a 35%. Entre os evangélicos, Flávio registra 62%, enquanto Lula tem 29%. Nesse último grupo, o senador oscilou sete pontos percentuais para baixo em uma semana, movimento que permaneceu dentro da margem de erro de quatro pontos percentuais para o segmento.

Lula apresenta melhores resultados entre os eleitores de menor renda, com 53% das intenções de voto, contra 38% de Flávio. O presidente também lidera entre os católicos, por 52% a 42%; entre os eleitores com menor escolaridade, por 56% a 36%; e no Nordeste, por 61% a 32%. Entre as mulheres, o petista tem 49%, contra 40% do senador. Já entre os homens, Flávio registra 52%, enquanto Lula aparece com 40%.

O levantamento foi divulgado após o Senado aprovar a proposta de fim da escala de trabalho 6x1, mas as entrevistas foram encerradas na quarta-feira (14), antes da conclusão da análise da medida. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o eventual impacto da proposta sobre a intenção de voto deverá ser avaliado na próxima rodada da pesquisa, prevista para a semana seguinte.

A mudança na jornada de trabalho é uma das principais apostas de Lula para tentar reverter a desvantagem em relação a Flávio após o primeiro turno. A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário no Senado. O próprio senador do PL, que vinha adotando uma posição diferente, também decidiu apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Depois de ficar atrás de Flávio no primeiro turno, a campanha de Lula revisou a estratégia de comunicação. Entre as iniciativas estão a gravação de vídeos em formato de selfie e a realização de mobilizações na Avenida Paulista, em São Paulo, e na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Durante um ato na capital paulista, no domingo (11), o presidente pediu que seus apoiadores convencessem eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno a participarem da votação seguinte.

Lula também anunciou medidas voltadas a microempreendedores individuais (MEIs), com a promessa de perdão de débitos tributários e pagamento de até R$ 5 mil por Pix para o segmento em 2027. Nas redes sociais, o presidente ainda prometeu criar um programa Pé-de-Meia destinado a universitários, caso seja reeleito.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentrou esforços na articulação política e na ampliação dos apoios partidários. Republicanos, Podemos, União Brasil, PP e Novo declararam apoio à sua candidatura. Na terça-feira (13), 16 diretórios do MDB também anunciaram apoio ao senador, enquanto outros dez se posicionaram a favor de Lula.

O candidato do PL também apresentou propostas direcionadas ao eleitorado. Na semana passada, durante o horário eleitoral, afirmou que pretende manter os programas sociais caso seja eleito e anunciou a intenção de criar um Ministério da Prosperidade, voltado à qualificação profissional e ao empreendedorismo. O senador também mudou de posição sobre o fim da escala 6x1 e decidiu votar a favor da proposta defendida por Lula e aprovada no Senado.

Em relação à rejeição, 46% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 44% dizem o mesmo sobre Flávio. O presidente manteve o índice registrado na pesquisa anterior, divulgada após o primeiro turno. Já o senador oscilou um ponto percentual para cima em relação ao levantamento publicado em 8 de outubro.

A pesquisa também avaliou a gestão federal. A desaprovação ao governo Lula oscilou um ponto percentual para cima e chegou a 50%, enquanto a aprovação permaneceu em 48%. Na avaliação qualitativa, 41% dos entrevistados consideram o governo ruim ou péssimo, um ponto percentual a mais que na rodada anterior. Outros 35% classificam a gestão como ótima ou boa, mesmo percentual da semana passada. Já 23% avaliam o governo como regular, uma oscilação de um ponto percentual para baixo.

O Datafolha entrevistou presencialmente 2.520 eleitores entre os dias 13 e 14 de outubro, em 153 municípios. Contratado pelo jornal Folha de S.Paulo, o levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-00466/2026.