Política em Foco Eleições 2026
Saiba como foi o último debate na TV entre Lula e Flávio Bolsonaro
Encontro promovido pela TV Globo nesta sexta-feira (23), com mediação de César Tralli, abordou infraestrutura, economia, educação e segurança pública antes do segundo turno, marcado para domingo (25)
24/10/2026 00h35
Por: Luana Velloso Fonte: Correio24horas
Foto: Carlos Elias Junior/Estadão Conteúdo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram cobranças e apresentaram propostas durante o último debate televisivo antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado na noite desta sexta-feira (23), pela TV Globo. Mediado pelo jornalista César Tralli, o encontro foi marcado por discussões sobre obras de infraestrutura, desenvolvimento regional, endividamento das famílias, educação e segurança pública, além de acusações e críticas entre os candidatos.

No primeiro bloco, Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre a conclusão de obras de infraestrutura atrasadas ou paralisadas. O presidente respondeu citando investimentos em ferrovias, rodovias e aeroportos e defendeu os resultados de seus governos. Na réplica, o senador prometeu concluir a Ferrovia Transnordestina e defendeu que o acesso à internet seja tratado como parte da infraestrutura do país, incluindo a conexão de comunidades indígenas.

O desenvolvimento do Nordeste também foi tema de confronto. Lula citou a transposição do Rio São Francisco e os investimentos realizados durante seus primeiros mandatos. Flávio afirmou que a região “não é problema, é solução” e declarou que pretende ser “o carioca mais nordestino”. O candidato do PL também direcionou a discussão para a segurança pública e cobrou explicações do presidente sobre a situação dos estados nordestinos.

Ao discutir o Centro-Oeste, Flávio questionou a relação de Lula com o agronegócio e mencionou reclamações de produtores rurais sobre o Plano Safra. O senador prometeu garantir segurança jurídica ao setor. Lula respondeu destacando recursos destinados à compra de máquinas, à agricultura familiar e à abertura de mercados para os produtos brasileiros.

Na discussão sobre a Região Norte, Flávio defendeu investimentos em saneamento básico e citou o Marco Legal do Saneamento, aprovado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), seu pai. O senador mencionou as condições de moradia em Belém e acusou a gestão petista de não realizar obras de asfaltamento em Altamira, no Pará. “Os caminhões ficam atolados”, afirmou. Ele também prometeu ampliar a Zona Franca de Manaus e garantir autonomia aos povos indígenas. Lula, por sua vez, enumerou investimentos em estradas, portos e aeroportos e criticou a atuação do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.

No segundo bloco, o endividamento público e das famílias brasileiras concentrou parte das discussões. Flávio cobrou explicações de Lula sobre a dívida pública e afirmou que o governo estaria deixando uma dívida de R$ 11 trilhões, atribuindo o montante aos gastos da administração petista.

O presidente questionou a autonomia do Banco Central, aprovada durante o governo de Jair Bolsonaro. Flávio defendeu a medida como um legado da administração do pai e argumentou que ela busca impedir o endividamento provocado por decisões governamentais. O senador também apresentou propostas para renegociar dívidas de pessoas físicas e empresas e afirmou que a taxa básica de juros deveria estar em 7% ao ano. “Com Flávio Bolsonaro na frente, a taxa futura já caiu”, declarou.

Lula respondeu que a proposta de renegociação apresentada pelo adversário reproduzia uma iniciativa que já havia encaminhado ao Senado. O presidente citou a possibilidade de compra de débitos com descontos de até 95% e mencionou o perdão de dívidas oferecido a microempreendedores individuais (MEIs) inadimplentes. Também defendeu a oferta de crédito durante seus governos e criticou os cortes de gastos propostos por Flávio.

O terceiro bloco foi marcado por discussões sobre educação e segurança pública. Lula anunciou que faria uma pergunta sobre educação, mas o mediador esclareceu que o tema disponível era ensino integral. O presidente argumentou que essa modalidade representava apenas uma das áreas da educação.

Ainda durante o bloco, Flávio defendeu a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de estupro e abuso sexual de crianças. Em seguida, ao escolher o tema “Retomada de Territórios”, cobrou explicações de Lula sobre as saídas temporárias de presos, conhecidas como “saidinhas”. “Por que não coloca o interesse das vítimas à frente do interesse dos bandidos?”, questionou o senador.

Lula reagiu mencionando o caso de Ana Clara, morta em frente de casa por um policial militar no Rio de Janeiro. Flávio também pressionou o presidente sobre a possibilidade de classificar organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas.

O último bloco, dedicado a temas livres, foi marcado por ataques pessoais e acusações de corrupção entre os candidatos. Ao final do debate, Lula e Flávio tiveram espaço para apresentar suas considerações finais antes do segundo turno, previsto para domingo (25).