Política em Foco Eleições 2026
Após vexame no primeiro turno, institutos de pesquisa voltam a errar projeções
Maioria dos levantamentos indicava vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, mas Lula venceu a disputa presidencial
25/10/2026 21h52 Atualizada há 2 horas atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: ARTE METRÓPOLES

Após divergirem do resultado do primeiro turno, os principais institutos de pesquisa eleitoral voltaram a projetar um cenário diferente do confirmado nas urnas no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Os levantamentos divulgados na véspera da votação indicavam vantagem numérica do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acabou reeleito neste domingo (25). A Vox Brasil foi a única entre as pesquisas destacadas no levantamento a apontar Lula como vencedor.

No primeiro turno, Flávio terminou à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. Na avaliação apresentada pela reportagem, os principais institutos também não conseguiram antecipar com precisão o cenário eleitoral. A disputa do segundo turno, porém, terminou com a vitória de Lula, que reverteu a desvantagem numérica indicada pela maioria dos levantamentos publicados antes da votação.

A reeleição representou uma virada histórica na disputa presidencial. Desde a adoção do sistema de dois turnos pela Constituição de 1988, nenhum candidato que havia terminado a primeira etapa em desvantagem tinha conseguido reverter o resultado e vencer a eleição presidencial.

Na noite deste domingo (25), a vitória de Lula foi confirmada pelo sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08, quando 97% das urnas já haviam sido apuradas. Naquele momento, o presidente registrava 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro.

Entre as pesquisas divulgadas na véspera, a Datafolha apontou Flávio com 51% dos votos válidos, ante 49% de Lula. O levantamento foi publicado no sábado (24), com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Embora o senador aparecesse numericamente à frente, os dois candidatos estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

A Quaest também indicou Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Na pesquisa estimulada, que considera os votos totais, o senador registrou 46%, enquanto o presidente teve 45%. Brancos e nulos somaram 8%, e 1% dos entrevistados não soube ou não respondeu.

A pesquisa CNT/MDA apontou Flávio com 50,7% dos votos válidos e Lula com 49,3%, uma diferença de 1,4 ponto percentual. A margem de erro era de 2,2 pontos percentuais, o que também caracterizava empate técnico. No levantamento BTG/Nexus, o senador apareceu com 50,5%, contra 49,5% do petista, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

A AtlasIntel/Bloomberg também indicou vantagem numérica de Flávio, com 50,8% dos votos válidos, ante 49,2% de Lula. A margem de erro, nesse caso, era de um ponto percentual. Na estimativa de votos totais, o senador registrou 49,9%, enquanto o presidente teve 48,4%. Brancos, nulos e eleitores que não souberam responder somaram 1,7%.

A Vox Brasil foi a única das pesquisas destacadas pela reportagem a apontar Lula como vencedor. O levantamento divulgado na sexta-feira (23) projetou 50,6% dos votos válidos para o petista e 49,4% para Flávio Bolsonaro. A margem de erro era de 2,15 pontos percentuais. Apesar de ter indicado o resultado final na direção correta no segundo turno, a Vox também havia colocado Flávio à frente na última pesquisa divulgada antes da votação do primeiro turno.

Os resultados mostram que a maioria dos levantamentos citados indicava uma disputa apertada, com vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, mas sem uma diferença estatisticamente significativa em relação a Lula. Por isso, embora a direção da vantagem tenha sido diferente do resultado final, os números não permitem classificar automaticamente todos os levantamentos como erros estatísticos: as margens de erro e a natureza probabilística das pesquisas precisam ser consideradas na avaliação do desempenho de cada instituto.