A espanhola Alexia Putellas conquistou pela terceira vez a Bola de Ouro feminina e igualou a compatriota Aitana Bonmatí como maior vencedora da história da premiação. Aos 32 anos, a meio-campista recebeu o troféu nesta segunda-feira (26), durante cerimônia no London Palladium Theatre, em Londres, e celebrou a volta ao topo após uma grave lesão no joelho que comprometeu parte de sua carreira.
Vencedora em 2021 e 2022, Alexia voltou a receber o prêmio depois de superar uma ruptura do ligamento cruzado anterior, sofrida às vésperas da Eurocopa de 2022. No discurso, agradeceu às pessoas que a apoiaram durante a recuperação. “Obrigada por me ajudarem a voltar a andar”, declarou, ao mencionar familiares e amigas.
A conquista interrompe a sequência de Aitana Bonmatí, vencedora das três edições anteriores, que ficou fora da lista de indicadas em 2026 após fraturar a perna em dezembro. Desde 2019, quando a norte-americana Megan Rapinoe recebeu o troféu, apenas Alexia e Aitana venceram a categoria feminina.
Da lesão à recuperação
Em 2022, Alexia compareceu à cerimônia da Bola de Ouro de muletas, depois de romper o ligamento do joelho. A lesão a afastou dos gramados por cerca de um ano. Após retornar gradualmente, a jogadora precisou passar por uma nova cirurgia no mesmo joelho no fim de 2023.
Durante esse período, Aitana assumiu maior protagonismo no Barcelona e na seleção espanhola. Alexia, porém, recuperou o desempenho que a havia levado ao reconhecimento mundial e voltou a conquistar o prêmio após 1.574 dias da lesão.
A temporada 2025/26 marcou o fim da passagem de Alexia pelo Barcelona, clube que defendia desde 2012. Como capitã, ela marcou 26 gols e distribuiu 15 assistências em 53 partidas, participando da conquista da Liga F, pela sétima vez consecutiva, da Copa da Rainha, da Supercopa da Espanha e da Liga dos Campeões Feminina.
Na final continental, o Barcelona venceu o Lyon por 4 a 0. Pela seleção espanhola, Alexia também conquistou a Liga das Nações, com vitória por 3 a 0 sobre a Alemanha na decisão, partida em que foi eleita a melhor em campo.
Durante a cerimônia em Londres, a meio-campista dividiu o reconhecimento com as antigas companheiras de equipe e afirmou que outras jogadoras do elenco também mereciam o prêmio pelo desempenho apresentado ao longo da temporada.
Alexia deixou o Barcelona em maio, após construir uma trajetória marcada por títulos e recordes. Foram 508 partidas pelo clube, a segunda maior marca da equipe feminina, além de dez títulos do Campeonato Espanhol, dez Copas da Rainha e quatro conquistas da Liga dos Campeões.
Após deixar o Barcelona, Alexia se transferiu para o London City Lionesses. Com a mudança, tornou-se a primeira jogadora a conquistar a Bola de Ouro feminina atuando na liga inglesa, recebendo o prêmio na cidade onde passou a viver.
Na disputa de 2026, superou concorrentes como a polonesa Ewa Pajor, sua ex-companheira no Barcelona, a jamaicana Khadija Shaw, artilheira do Manchester City campeão inglês, e a espanhola Patri Guijarro. A brasileira Lorena, única representante do país entre as indicadas, terminou na 28ª posição.
A jogadora também aproveitou o discurso para incentivar crianças que sonham em jogar futebol. “Se você ama futebol e quer jogar, jogue”, afirmou, destacando que o esporte deve ser uma possibilidade tanto para meninas quanto para meninos.
A vitória de Alexia reforçou a presença espanhola entre os destaques da cerimônia de 2026, que também premiou Lamine Yamal, Vicky López, Unai Simón, Cata Coll, Luis de la Fuente, Pere Romeu e o Barcelona em diferentes categorias.