Política em Foco Eleições 2026
Sem apresentar provas, Trump diz que eleição no Brasil 'pareceu fraudada' e afirma que 'gosta do Lula'
Presidente dos Estados Unidos afirmou que o pleito “pareceu mais uma eleição fraudada”; resultado oficial confirmou a reeleição do petista, que venceu Flávio Bolsonaro com 51,79% dos votos válidos.
26/10/2026 21h19
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Presidência da República

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou nesta segunda-feira (26) a legitimidade das eleições presidenciais brasileiras, afirmando que a votação “pareceu mais uma eleição fraudada”, sem apresentar provas ou indicar irregularidades concretas. Apesar da crítica, o republicano declarou que gosta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno com 51,79% dos votos válidos.

“Eu não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada”, afirmou Trump ao ser questionado por jornalistas. Em seguida, classificou o pleito como algo que, na avaliação dele, “pareceu muito ruim”. Perguntado se tomaria alguma medida em relação ao resultado, respondeu que não governa o Brasil e que sua responsabilidade é com os Estados Unidos.

“Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, declarou, em referência à decisão judicial que ampliou o horário de votação em determinadas seções eleitorais.

Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL), aliado político de Trump, por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário. O resultado foi confirmado na noite de domingo (25) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Reação do governo brasileiro

O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, assessor de Lula para assuntos internacionais, criticou as declarações do presidente norte-americano. Em entrevista ao g1, afirmou que Trump estaria mal informado e classificou suas falas como contraditórias, por questionar o processo eleitoral brasileiro e, ao mesmo tempo, declarar simpatia pelo presidente reeleito.

Amorim também mencionou a atuação da Meta, empresa responsável por plataformas como Facebook e Instagram, ao afirmar que a companhia teria restringido conteúdos publicados durante a campanha. A declaração foi apresentada pelo assessor como uma possível referência ao que Trump chamou de fraude, sem que o presidente norte-americano tenha especificado a que situação se referia.

Disputa sobre o horário de votação

As declarações de Trump ocorreram após Flávio Bolsonaro afirmar que não reconheceria o resultado eleitoral e que recorreria à Justiça para pedir a anulação do pleito. O senador contestou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que prorrogou até as 19h o horário de votação em seções que ainda estavam abertas.

A medida foi adotada após as campanhas presidenciais relatarem dificuldades enfrentadas por eleitores em diferentes regiões. A equipe de Lula apontou problemas no transporte público em pelo menos nove estados. Já a campanha de Flávio solicitou a ampliação do horário em municípios afetados por chuvas fortes, alagamentos, mudanças nos locais de votação e dificuldades de acesso às seções.

Na decisão, Zanin considerou a gravidade das situações relatadas e a urgência da medida. Posteriormente, esclareceu que a extensão do horário valeria somente para locais onde as urnas ainda estavam abertas, sem reabertura de seções que já haviam encerrado a votação.

Segundo dados do TSE citados pelo g1, cerca de 35 mil votos foram registrados após as 17h, no horário de Brasília. O número ficou distante da diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio.

Reações de outros líderes

Outros líderes políticos de direita da América Latina reconheceram o resultado e parabenizaram Lula. Entre eles estavam o colombiano Abelardo de la Espriella e a peruana Keiko Fujimori, ambos citados pela reportagem como aliados de Trump. Até a última atualização do levantamento, o presidente argentino Javier Milei ainda não havia se pronunciado.

As declarações de Trump acrescentaram uma manifestação internacional aos questionamentos feitos por Flávio Bolsonaro sobre o resultado. Até o momento relatado, porém, o presidente dos Estados Unidos não apresentou evidências que sustentassem a alegação de fraude, enquanto o TSE confirmou oficialmente a vitória de Lula.