O governo dos Estados Unidos concederá vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus familiares e permitirá a entrada deles no país, segundo informação de uma autoridade do Departamento de Estado norte-americano à repórter da TV Globo Raquel Krähenbühl. O governo de Donald Trump não havia informado oficialmente se o parlamentar já estava em território americano.
A chegada, porém, foi noticiada pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles. Segundo a apuração publicada nesta terça-feira (27), Flávio chegou à Flórida durante a tarde, acompanhado da esposa e das duas filhas, e se encontrou com o irmão, Eduardo Bolsonaro, e a família dele.
Mais cedo, a agência Reuters e o jornal The New York Times haviam informado, com base em fontes anônimas, que o senador deixara o Brasil com destino aos Estados Unidos. O portal argentino Infobae publicou que ele teria cruzado a fronteira por Puerto Iguazú, na Argentina, usando documento de identidade, e seguiria em um avião particular.
Os registros do FlightRadar24 indicavam que a aeronave citada pela publicação havia voado de Buenos Aires para Puerto Iguazú e chegado à cidade às 23h45, no horário de Brasília. Até aquele momento, o avião não havia deixado o local. Também não havia confirmação sobre a presença de Flávio na aeronave ou sobre uma eventual troca de avião para seguir viagem.
Na manhã desta terça-feira, o controle de imigração argentino informou que não havia registro de entrada do senador no país. A Polícia Federal brasileira também informou, segundo reportagem do g1, que não havia registro de passagem de Flávio por pontos regulares de controle migratório do Brasil.
A viagem ocorreu após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada na noite de domingo (25), que determinou a entrega dos passaportes do senador. O prazo para cumprimento da ordem terminou às 11h desta terça-feira (27), mas Flávio não havia apresentado o documento à Polícia Federal.
A determinação foi expedida em um processo no qual Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro em um suposto esquema envolvendo empresas de Tomaz e apostas esportivas. Os dois confirmam que são amigos, mas negam sociedade e qualquer irregularidade.
O senador também é investigado em inquérito da Polícia Federal que apura possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a coluna de Igor Gadelha, Flávio planeja conceder uma entrevista coletiva nos Estados Unidos para explicar os motivos de sua saída do Brasil. A previsão inicial, segundo aliados citados pela publicação, era que a conversa ocorresse ainda nesta semana, possivelmente em Washington, na quarta-feira (28).