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Lula sanciona lei que pode tirar R$ 16,6 bilhões da saúde e educação; governo aperta o cinto justamente onde mais precisa investir
Mudança nas regras fiscais pode reduzir recursos das duas áreas em 2027. Estimativa de economistas aponta impacto bilionário, enquanto legislação cria mecanismos para dar mais flexibilidade ao governo na gestão das contas públicas.
30/10/2026 08h50
Por: Redação Fonte: Mais Região
Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou uma mudança na legislação fiscal que pode reduzir em até R$ 16,6 bilhões os recursos destinados à saúde e à educação em 2027. A medida está prevista na Lei Complementar nº 235/2026 e estabelece novas regras para o crescimento de despesas vinculadas, além de alterar critérios utilizados no cálculo de obrigações orçamentárias.

Na prática, a legislação determina que, diante de uma projeção de déficit primário, determinadas despesas vinculadas por lei não poderão crescer acima do limite estabelecido pelo arcabouço fiscal. A mudança pode comprometer recursos que, pelas regras anteriores, teriam outra trajetória de crescimento. É uma forma de abrir espaço nas contas públicas, mas com possíveis consequências para áreas essenciais à população.

O alerta vem de uma estimativa do Instituto de Finanças Funcionais para o Desenvolvimento (IFFD), que aponta impacto entre R$ 8,6 bilhões e R$ 16,6 bilhões em 2027. Já a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, estima que a alteração na base de cálculo poderá reduzir em aproximadamente R$ 4,7 bilhões o piso federal da saúde. Os números utilizam metodologias e recortes diferentes e não devem ser somados automaticamente.

A legislação também autoriza a antecipação de até R$ 3 bilhões de recursos originalmente previstos para 2027, medida que altera a distribuição temporal de despesas. O conjunto das mudanças foi aprovado pela Câmara e pelo Senado em 12 de agosto, no mesmo dia, e posteriormente sancionado por Lula, em 27 de agosto.

O episódio levanta uma contradição política que merece ser discutida: um governo que frequentemente coloca a defesa da saúde e da educação no centro de seu discurso também sanciona mecanismos fiscais que podem reduzir o crescimento dos recursos destinados a essas áreas. Não se trata de um corte nominal já realizado, mas de uma mudança concreta nas regras que pode produzir perdas bilionárias no próximo orçamento.

A pergunta que fica é: quando chega a hora de ajustar as contas, por que áreas tão fundamentais para a população também entram na conta? Afinal, responsabilidade fiscal é necessária, mas não pode servir de justificativa automática para enfraquecer investimentos em saúde e educação.

Com apuração de Gabriel Seixas